<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2435416063818699304</id><updated>2011-12-14T19:09:07.816-08:00</updated><title type='text'>r.b.S - 2007</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://rbs-2007.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2435416063818699304/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rbs-2007.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>r.b.S</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12035987248499265783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_l4tkoYa3rwo/SHtuXHafv_I/AAAAAAAAAW0/cR0WZIcOG4o/S220/rbs..jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>6</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2435416063818699304.post-8351655238600556539</id><published>2008-05-07T09:32:00.000-07:00</published><updated>2008-05-07T09:40:36.238-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;BALANÇO 2007 #2&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;MOMENTOS NEGATIVOS&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;• A ideia que Portugal está inevitavelmente encalhado na cauda da Europa. Diga-se de boa verdade que as últimas governações não têm facilitado o fim do pessimismo reinante. Será que o dinheiro na carteira do povo facilita a inversão das estatísticas? Humm! Um mistério para os políticos!&lt;br /&gt;Já agora, repararam no regresso de Santana Lopes?!? É preciso lata!!&lt;br /&gt;• A misantropia das majors que continua a não iluminar o caminho para o futuro ou o conformismo estático das editoras perante a revolução do mp3. Prince e Radiohead foram os mais recentes murros na barriga do moribundo.&lt;br /&gt;• A saloiice intelectual dos governantes que exigem mais música portuguesa na rádio. As cotas poderão forçar as playlist's mas o público pode continuar a não gostar da péssima música que se produz em alguns quadrantes da nossa pop/rock. Para quando cotas mínimas para mais programas de música na TV?&lt;br /&gt;• Rapto ou morte? Pais McCann: vítimas ou assassinos? O que é feito de Maddie? Devolvam Maddie! Um ano fabuloso para o jornal &lt;em&gt;24 Horas&lt;/em&gt;. Nunca se viu tanta especulação e palermice mediática num jornal só. Já agora um agradecimento às televisões que muito contribuíram para o aumento do entretenimento informativo. Bem dita hora que os McCann visitaram Portugal...&lt;br /&gt;• Um insulto muito especial para o meu sócio que acertou nos 5 números do Euromilhões na semana em que não registou o boletim da sorte.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;MOMENTOS POSITIVOS&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;• Para muitos o Dance Stacion pode não ter sido o mais interessante dos festivais de Verão mas o serão passado entre a estação do Rossio e o Coliseu dos Recreios marcou-me a memória. E acho que fiquei a dever dinheiro a alguém...&lt;br /&gt;• A edição de &lt;em&gt;Alive 2007&lt;/em&gt; dos Daft Punk. Voltou-me à memória o espectáculo magnífico no Sudoeste do ano passado.&lt;br /&gt;• Dr. House foi a grande descoberta do ano na TV. Referências elogiosas para outras grandes séries de televisão: &lt;em&gt;Heroes&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;24&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Prison Break&lt;/em&gt; e já agora &lt;em&gt;Betty Feia&lt;/em&gt;. Em Portugal nota positiva para os &lt;em&gt;Gato Fedorento&lt;/em&gt; (a melhor sátira politica) e &lt;em&gt;A Guerra&lt;/em&gt; (documentário de Joaquim Furtado sobre a Guerra Colonial).&lt;br /&gt;• Destaque para uma série de grandes músicas que enriqueceram o panorama musical em 2007, eis algumas: Pinch “Brighter Day” (ft. Juakali), Bob Marley &amp;amp; The Wailers “Don’t Rock My Boat”(Stuhr Remix), Sharon Jones &amp;amp; Dap-Kings “01 100 Days, 100 Nights”, Christian Prommer “Strings Of Life”, Kanye West “Good Morning”, The Field “Mobilia”, Pantha Du Prince “Saturn Strobe”, The Midnight Juggernauts “Into The Galaxy”, Moodymann “Technologystolemyvinyle”, Hot 8 Brass Band "Sexual Healing", Bonde do Role "Gasolina" (Buraka Som Sistema Remix), Kode 9 "Magnetic City", entre outros que a memória atraiçoa.&lt;br /&gt;• Grandes discos em 2007: o inevitável &lt;em&gt;Untrue&lt;/em&gt; de Burial, Matthew Dear, M.I.A, Bjorn Torske, Nostalgia 77, Justice, Cobblestone Jazz, The Cinematic Orchestra, Boys Noize ou Ebb. Para o ano há mais. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;BALANÇO 2007 #1&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Num ano particularmente pouco inspirado, estes são alguns dos discos que mais sobressaíram. A escolha é pessoal e obedece a critérios subjectivos. Há quem concorde, e na mesma proporção, quem discorde.&lt;br /&gt;Com o apanhado dos melhores discos (e daqui a poucos dias os Momentos e as Canções 2007), a missão por este ano fica concluída. 2008 está aí. Ano novo, vida nova, discos novos... e daqui a um ano listas novas.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Live, long and prosper.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;1.&lt;/strong&gt; Burial – &lt;em&gt;Untrue&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Poder-se-ia acreditar que depois de &lt;em&gt;Burial&lt;/em&gt; (2006) que haveria pouca margem de manobra sonora para um segundo disco, especialmente preparado em tão pouco tempo. Mas resposta não tardou. Untrue mantém os princípios do disco inaugural (atmosferas densas e sombrias, fantasmas soul que vocalizam amarguras, geometrias 2-step exactas) sem que para isso se conclua que é mais do mesmo. Há elementos transgénicos que são subtilmente introduzidos na matriz. Burial baralha a tabela periódica com a preocupação de não desencadear reacções químicas explosivas. Trabalha obsessivamente na sua música madrugada fora. É perfeccionista quando tem noção que tem em mãos um som único não só reverênciado pelo público dubstep, como também por uma massa de gente que supostamente nem lhe deveria achar o mínimo de graça. Untrue é sem dúvida sombrio e fantasmagórico, mas também iluminado e transversal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;2.&lt;/strong&gt; Nostalgia 77 - &lt;em&gt;Everything Under the Sun&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Entre o sentido urgente de regresso aos clássicos e a necessidade do exercício de libertação espiritual, o quadro aqui eloquentemente oferecido proporciona uma rara narrativa onde a liberdade toma as redias da acção dramática. Não se supõe as consequências para o futuro, apenas que ele ganhará com a magnífica interacção dos músicos falsamente convidados ou as vozes magistrais que enriquecem os conceitos do produtor. Lizzy Parks é prova evidente dessa ideia logo no início do disco (“Wildflower”) quando nos invade o espaço com uma promiscuidade vocal entre Carole King ou Ella Fitzgerald. Uma vez captada a atenção inicial e encontrado o desejo de descoberta, o resto sente-se enquanto a envolvência orquestral nos embala a alma e o ritmo nos massaja a acepção que temos da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;3.&lt;/strong&gt; Matthew Dear - &lt;em&gt;Asa Breed&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Do Michigan chega o perfeito exemplo da extraordinária capacidade de estruturar pequenas canções pop – algumas a sonhar com o Verão – e simultaneamente promover o lado mais hedonista da música. No início Dear propõe-se a desbravar os ideais tech-house que orientaram a música nos dois primeiros discos – especialmente &lt;em&gt;Backstroke&lt;/em&gt; (2004) – para depois dedicar-se à eloquência de uma tech-folk camuflada, quente e inspirada. E à medida que caminhamos para o fim perdemos um pouco a noção do papel que o techno ou o house desempenham. Mas no gume entre a especulação da gramática pop, o experimentalismo high-tech – umas vezes iluminado, outras soturno – e o prazer de fazer boa música, encontra-se a mais-valia que realmente trás ao mundo um facto estético capaz de devolver clarividência à humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;4.&lt;/strong&gt; M.I.A. – &lt;em&gt;Kala&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A diversidade é uma das mais-valias de M.I.A. &lt;em&gt;Kala&lt;/em&gt; representa a irreverência da sua autora, que não resiste às palavras fortes para transmitir mensagens politicas. Representa uma viagem que a levou aos quarto cantos do mundo (India, Trinidad, Jamaica, Austrália e Japão) numa demanda espiritual. Representa um lado selvagem e agressivo que ao mesmo tempo deseja veemente a glória e a vingança. É uma música irrequieta e festiva que não poupa nem no “cravo” nem na “ferradura”. Ou não fosse o ímpeto tribal Tamil uma marca no código genético de M.I.A. e simultaneamente um elemento fundamental na transformação de muitos dos elementos pop em lanças eficazes. Kala é uma das marcas de autor mais originais do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;5.&lt;/strong&gt; Justice – †&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;† (Cross) é para muitos o mais pertinente registo a sair dos campos Elísios desde Homework. Antes mais recupera o espírito aventureiro e rebelde do disco de estreia dos Daft Punk. Depois devolve nesta década o charme do french-touch sem que realmente se preocupe com essa designação. † é festivo na mesma proporção que é inventivo na tentativa de construção de uma linguagem de autor. É electro, é funk, é house, é disco mas também uma simbólica ambição de ser um registo rock onde os sintetizadores substituem competentemente as guitarras. Será em última instância uma das poucas consequências positivas do malogrado electro-clash. Ou talvez não. Seja como for os Justice são os meninos bonitos da actual música francesa que uma vez mais se vê representada no mundo por dois jovens e ambiciosos produtores. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;6.&lt;/strong&gt; Cobblestone Jazz - &lt;em&gt;23 Seconds&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em &lt;em&gt;23 Seconds&lt;/em&gt; o efeito hipnótico das espirais caleidoscópicas reserva momentos raros de transe onde a condição humana não é substituída por infindáveis ligações mecânicas ou bites e bytes em excessos repetitivos. &lt;em&gt;23 Seconds&lt;/em&gt; é em muitos aspectos a evolução da consequência do encontro da matemática sonora dos Metamatics (no início), da experiência techno-jazz humana de Jonah Sharp no Spacetime Continuum de &lt;em&gt;Emit Ecaps&lt;/em&gt; e da sabedoria geométrica da velha escola IDM. Ou seja, uma consequência natural da mutação da memória e da destreza de alguma inovação. Um momento inteligente e complexo que servirá competentemente quem procura soltar as amarguras na pista de dança ou opta pelo sofá para espantar os espíritos alienígenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;7.&lt;/strong&gt; Bjorn Torske - &lt;em&gt;Feil Knapp&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Os devaneios são saudáveis, charmosos e expressivos. A música evoca liberdade e uma melancolia sã, ela revela o tempo que calmamente levou a ser preparada – o último disco de Torske data de 2001. Tudo o que é exposto ouve-se num ápice como se se tratasse de uma música propositadamente light e de consumo instantâneo. A abrangência estilística é deleitante e eloquente, visivelmente resultante de uma inteligência que tem noções claras de como a operação em estúdio deve decorrer – e de como se devem atingir os objectivos. Bjørn Torske tem finalmente mérito próprio, soube decompor a matéria e teve tempo para a digerir. Transmite uma sensação de ingenuidade mas sabe bem que aí reside a mais-valia de um som que vê uma série de partículas assentarem no sítio certo. O espectro de &lt;em&gt;Feil Knapp&lt;/em&gt; é integro e de muito bom gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;8.&lt;/strong&gt; Kalabrese – &lt;em&gt;Rumpelzirkus&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Um sonho infantil pode abrir espaço a uma arena onde os sons vagueiam à sua vontade. Mas quando soa o apito final, todos esses sons sabem ocupar o lugar correcto no tempo e espaço. &lt;em&gt;Rumpelzirkus&lt;/em&gt; não será certamente o facto estético pelo qual todos almejamos, mas a aparente inocência a que nos sujeitamos num disco – talvez excessivamente longo – que tanto alude à nostalgia dos tempos mais pop de uns Underworld, os dias mais carismáticos de Herbert ou à melancolia de David Sylvian e abraça simultaneamente, de forma coerente, a gramática da música destes últimos tempos, já serão motivos de sobra para escutar todos estes deliciosos malabarismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;9.&lt;/strong&gt; The Cinematic Orchestra – &lt;em&gt;Ma Fleur&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ma Fleur&lt;/em&gt; marca a viragem do colectivo para outros quadrantes. A folk e a pop passam a fazer parte do léxico. A eloquência jazzistica mantêm-se, a humilde ambição de escrita para um filme também. O piano ganha visibilidade num sector folk, tal como a guitarra acústica. Os ambientes melancólicos sentem-se na pele. E as vozes de Patrick Watson ou da repetente Fontella Bass asseguram-se de que o arrepio é eficiente. &lt;em&gt;Ma Fleur&lt;/em&gt; é um mimo intimista que muitos estranharão ao início, mas o tempo acabará por provar que a viragem talvez tenha sido a melhor opção num período menos feliz para o nu-jazz e cada vez mais favorável à nova folk.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;10.&lt;/strong&gt; Boys Noize – &lt;em&gt;OiOiOi&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Oi Oi Oi&lt;/em&gt; representa o segundo passo consistente na tentativa de redifinição do paradigma &lt;em&gt;Homework&lt;/em&gt; vs &lt;em&gt;Human After All&lt;/em&gt; – a seguir aos Justice, naturalmente – ou seja techno-house em colisão directa com uma atitude punk-rock. Por entre os exercícios robustos de regozijos ácidos, apresentam-se peças experimentais que procuram um espaço próprio no universo de Boys Noize. Um espaço relativamente indefinido, negro, duro, áspero, longe do electro/funk habitual e parcialmente oposto aos momentos mais festivos. &lt;em&gt;Oi Oi Oi&lt;/em&gt; devolve o vigor, o som e o barulho que as colunas julgavam ter perdido quando se instalou a moda do minimal. É o regresso às pistas dança de uma energia destorcida, intrépida e contagiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;11.&lt;/strong&gt; Ebb – &lt;em&gt;Loona&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não viveremos em &lt;em&gt;Loona&lt;/em&gt; o absoluto reconhecimento de um novo mundo, agora já podemos viver na necessidade de descobrir, quanto antes, um disco pop que agradará a quem encontrou nos Junior Boys o ideal de canção perfeita. Frio por fora e quente por dentro, Loona reconforta-nos com a sua delicadeza natural, embala-nos a alma com a sua monção poética e derrete o gelo sem grandes contrariedades. Nem se esperaria mais em tempos de aquecimento global.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;12.&lt;/strong&gt; Common - &lt;em&gt;Finding Forever&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Entre a revolta interior, a alquimia que permite melancolia e a alegria, retratos urbanos, banalidades sociais e a necessidade da inspiração religiosa, Common volta a ser certeiro na proverbial expressão dos seus sentimentos. Uma vez mais Kanye West serve de base para uma produção imaculada, não muito aventureira mas proficiente o suficiente para que a alma se expresse com eficiência. “Start The Show” e “Forever Begins” são prova disso mesmo quando de uma forma quase sublime nos encantam com uma linguagem hip hop e soul muito acima da mediocridade que reina no meio. Talvez a própria distancia entre Detroit e Hollywood seja um factor essencial para que não haja contágios com o burlesco que a industria manipula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;13.&lt;/strong&gt; Yestersday New Quintet - &lt;em&gt;Yesterdays Universe&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Yesterdays Universe&lt;/em&gt; é um empilhamento sonoro impressionante, tanto nas referências - que podem ir de Sun Ra a Miles Davis, do samba ao &lt;em&gt;blaxpoitation &lt;/em&gt;-, na forma como a produção sobrepõe sons de forma caótica mas que no fundo cria uma massa jazz robusta ou ainda nas diversas vertentes de um jazz inconformado que criam uma homogeneidade estética sem paralelo nos últimos tempos. É certamente um disco que não entra com facilidade, nem se sente de imediato. Mas depois de descoberto provoca arrepios na espinha e deglute-se com um prazer inestimável. E se não ignorarmos o facto de nada naquele grupo de pessoas criados por Otis Jackson Jr. ser verdadeiro, nada como nos sentir enganados de vez em quando para apreciar um projecto de fantasmas que "tocaram" até hoje a melhor música produzida por Madlib.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;14.&lt;/strong&gt; Solal - &lt;em&gt;The Moonshine Sessions&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;As músicas de &lt;em&gt;The Moonshine Sessions&lt;/em&gt; são no mínimo pequenas pérolas que representam a forma argilosa como Solal encara, abraça e adapta sem preconceitos a música country. The Moonshine Sessions é em espírito uma ode à musica popular tradicional norte americana com poucas, ou mesmo nenhumas, ligações ao panorama da actual musica popular produzida na Europa, muito menos – como os projectos anteriores – um entrelaçado de sons electrónicos. A elegância destas músicas distingue-se pela formalidade com que se apresentam ao mundo. E se na mente ecoam memórias de velhos titãs – Johnny Cash, Neil Young – em busca de novos acordes, não deixará de ser interessante, e mesmo pertinente, que Solal evoque a escrita clássica enquanto os novos talentos do country local esconjuram os princípios activos do blues e da melhor &lt;em&gt;white soul music&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;15.&lt;/strong&gt; Juba Dance – &lt;em&gt;Orange&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Pelo tempo e espaço que proporciona a um conjunto de temas, distribui sabedoria na construção melódica quando integra o conhecimento de velhos mecanismos na base dos samplers e dos sintetizadores, na versatilidade dos instrumentos de sopro, na obsessão dramática das orquestrações ou na desenvoltura rítmica apropriada – com fundamentos no electro-funk &lt;em&gt;old school&lt;/em&gt; ou nos &lt;em&gt;beats &lt;/em&gt;nascidos nas ruas do Bronx – e simplifica o resultado final sem descrédito para nenhum dos ingredientes que compõem esta calda eloquente. Por isso &lt;em&gt;Orange &lt;/em&gt;é mais uma das poucas provas que testemunham a qualidade da versatilidade do hip-hop em dias cinzentos e quadrados.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/R2kFHKBrnQI/AAAAAAAAAPo/wLL25dYXYVI/s1600-h/orange.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;JUBA DANCE&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Orange&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A promiscuidade e a especulação são com frequência as armas essenciais na maquinação de um punhado de temas inspirados pelo gosto da aventura. E considerando-se de imediato que o presente ano não tem sido dos mais estimulantes no que diz respeito ao hip-hop, não deixará de ser pertinente que na recta final de 2007 surja com alguma espontaneidade o disco de estreia de um projecto denominado Juba Dance que, além da capacidade integrar no seu hip-hop transversal um sem número de tipologias, renova com gosto a sinceridade do debate sonoro em quadrantes perdidos no passado.&lt;br /&gt;Apresentando-se com a maior descrição possível, como se de um qualquer desporto amador se tratasse, a dupla Benjamin Lamar – multi-instrumentalista de Chicago a residir no Rio de Janeiro – e Polyphonic The Verbose (aka Will Freyman) relembra com este disco a necessidade do hip-hop interagir culturalmente com outras linguagens que não só reforcem o carácter especulativo do género urbano, mas também aumentem a sensibilidade do verbo para novas semânticas sonoras – para além Gil Scott-Heron. Só assim poder-se-á entender a naturalidade da promiscuidade positiva de caixilhos sonoros que interligam a música do Brasil ("Tomorrow"), o velho blues ("Willow Blues"), o groove psicadélico ("Cachaca"), o jazz ("Message from Cham") ou os tons afro-cubanos ("Fisherman's Jig") numa única matriz que tem no hip-hop e no r&amp;amp;b os elementos unificadores e no dom da palavra a inteligência e a integridade.&lt;br /&gt;Não será peça única nem uma das mais raras, mas &lt;i&gt;Orange&lt;/i&gt; parte e reparte com instinto instigador o espírito e a memória como há muito não se ouvia. Pelo tempo e espaço que proporciona a um conjunto de temas, distribui sabedoria na construção melódica quando integra o conhecimento de velhos mecanismos na base dos samplers e dos sintetizadores, na versatilidade dos instrumentos de sopro, na obsessão dramática das orquestrações ou na desenvoltura rítmica apropriada – com fundamentos no electro-funk &lt;i&gt;old school&lt;/i&gt; ou nos beats nascidos nas ruas do Bronx – e simplifica o resultado final sem descrédito para nenhum dos ingredientes que compõem esta calda eloquente. Por isso &lt;i&gt;Orange&lt;/i&gt; é mais uma das poucas provas que testemunham a qualidade da versatilidade do hip-hop em dias cinzentos e quadrados.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/R10phXJjHLI/AAAAAAAAAPQ/pRH4YaxqzK0/s1600-h/daft+punk+alive+2007.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;DAFT PUNK&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;ALIVE 2007&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Volvidos 10 anos sobre a edição de &lt;i&gt;Homework&lt;/i&gt; – e não ignorando a sua influência permanete sobre a música pop –, os inúmeros projectos que hoje em dia recuperam as ideias fundamentais de um determinado &lt;i&gt;french touch&lt;/i&gt; que os Daft Punk souberam usar em beneficio próprio – e também como forma de afirmação de uma linguagem electrónica que, especialmente na França, sofria da falta de estilização e de inúmeras oportunidades comerciais – são indicadores não só das qualidades da produção de Thomas Bangalter e Guy-Manuel Homem-Cristo, mas também da capacidade de entendimento e perverção das regras elementares do mercado.&lt;br /&gt;Por terem sido adversos a actuações ao vivo durante um bom par de anos e aproveitando a comemoração de 10 anos de carreira (que a colectânea &lt;i&gt;Musique Vol. 1 1993-2005&lt;/i&gt; simbolizou), a dupla, que muitos condenavam ao obscuro fracasso, soube inverter as reacções negativas do pós-&lt;i&gt;Human After All&lt;/i&gt; e desafiaram-se a si próprios com um projecto &lt;i&gt;live&lt;/i&gt; multimédia faraónico sem precedentes. O &lt;i&gt;Coachella&lt;/i&gt; de 2006 foi o primeiro palco a assistir a este novo conceito de espectacúlo. Essencialemte acente na “pirotecnia” tecnológica e um sem número luzes, projectores, LED e de LCD, os Daft Punk iluminaram de forma majestosa a música de &lt;i&gt;Homework&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Discovery&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Human After All&lt;/i&gt;. Um espectáculo soberbo que entusiasmou (portugueses incluídos) e que ainda entusiasma milhares de espectadores que, independentemente do gosto pela música da dupla, rumam a festivais para se rendem incondicionalmente a tão singular espectáculo visual.&lt;br /&gt;Para espanto de muitos, e ao contrário da linearidade a que muita das actuações ao vivo de projectos electrónicos obriga, a música &lt;i&gt;live&lt;/i&gt; dos Daft Punk vivia, e&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/R10pq3JjHMI/AAAAAAAAAPY/8mtFdO_IzfI/s1600-h/daftpunk1.jpg"&gt;&lt;/a&gt; vive também agora em formato físico, da aparente contradição das estruturas e texturas elementares de cada um dos três álbuns de originais. Ou seja, a dupla, num esforço positivo de refrescamento musical, decidiu o encadeamento de temas (êxitos e não êxitos) que aparentemente pouco tinham em comum, sobrepondo-os, remisturando-os e recontextualizando-os. Oiça-se, por exemplo, a miscelânea de "Around The World" e "Harder, Better, Faster, Stronger" ou "Television Rules The Nation" e "Crescendolls" (um dos melhores momentos) para perceber como dois temas de discos diferentes têm alguns pontos comuns e que juntos formam um tema renovado e enérgico.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Alive 2007&lt;/i&gt;, gravado em Paris com particular sentimento, é indiscutivelmente um ponto positivo que simbolizará mais uma vitória na carreira dos Daft Punk, não só porque representa mais uma fase de experimentação artística, como se torna num marco que recordará para sempre uma nova forma de actuação ao vivo. Pena continua a ser a ausência de um registo visual em DVD que permita à memória a nostalgia do que deverá ter sido uma noite única na vida de muitos festivaleiros. Da música já muito se disse e dos espectáculos já muito se escreveu. Os Daft Punk deverão agora começar a idealizar o futuro, porque &lt;i&gt;Alive 2007&lt;/i&gt; marca o fim de mais um passo na vida de Thomas Bangalter e Guy-Manuel Homem-Cristo. E mais cedo ou mais tarde espera-se vida nova. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/R1PhP3JjHKI/AAAAAAAAAPI/JkJgiD4qHgs/s1600-R/Cobblestone+Jazz.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5139699262378155170" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/R1PhP3JjHKI/AAAAAAAAAPI/WO3cqTxS6MA/s320/Cobblestone+Jazz.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;COBBLESTONE JAZZ&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;23 SECONDS&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vivemos num mundo complexo, cheio de &lt;i&gt;nuaces&lt;/i&gt; em constante mutação, formas que se metamorfoseiam em novos feitios ou conceitos que se multiplicam para além do horizonte do entendimento. A própria condição humana força a constante transfiguração como resposta alternativa à estagnação. Não será de menosprezar a imaginação como instrumento vital na catalisação do processo. Criar é a palavra de ordem desde que a humanidade sentiu necessidade de instrumentos para facilitar as tarefas do dia a dia. Assim foi e assim haverá de continuar a ser até que a tecnologia deixe de ser a aliada ideal do homem.&lt;br /&gt;Não se estranhe a volatilidade com que tudo muda à nossa volta. As inconstantes na equação aumentam, as probabilidades, por vezes, pouco valem como estatística ou voltímetro das energias criativas. A moda ou a música são, enquanto artes, pólos que sofrem alterações, evoluções e reformas estruturais. Talvez a arte se reconsidere mais vezes que a ciência que, como resultado do pragmatismo, observa na lógica matemática a única certeza num universo ainda por explorar.&lt;br /&gt;Em 23 segundos seria completamente impossível resumir qualquer percurso. Em 23 segundos não seria sequer viável a exposição conveniente e convincente de todas as transformações por que a humanidade passou, muito menos equacionável o compêndio da história. No entanto será possível que os mesmos 23 impossíveis segundos possam ser, no reino da imaginação, o tempo suficiente para os delírios inteligentes que empacotam a essência humana numa fracção, a improvisação no acto instantâneo da criação ou a sensibilidade no instante de uma sexagésima parte de um minuto.&lt;br /&gt;Assim poder-se-á entender o sentido que os Cobblestone Jazz empregam na viagem inaugural onde tempo e espaço comungam em promiscuidade com a faculdade de programar enquanto procuram alguma complexidade no acto de improvisar. &lt;i&gt;23 Seconds&lt;/i&gt; fará as maravilhas de quem tem do techno minimal a única explicação para os longos delírios de 10 temas. A verdade poderá ser diferente se se procurar outro pilar que, mesmo admitido de que se trata de um techno despojado de artifícios, possa explicar a existência de singular registo – onde também convivem o dub e o breakbeat – num universo de música inteligentemente erguida a partir da arte de concepção e improvisação do jazz. Para que não haja dúvidas, não se trata de jazz, mas sim da capacidade de organizar os sons no tempo e no espaço como talvez o jazz faria.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;23 Seconds&lt;/i&gt; provem do Canadá e expõe em duas faces Danuel Tate, Mathew Jonson e Tyger Dhula como elementos produtores de uma obra de estúdio que respira liberdade conceptual – onde outros do mesmo meio poluem com frivolidades inconsequentes e incompetentes – e como manipuladores de novos conceitos techno/jazz ao vivo (inspiração Bugge Wesseltoft?). Em &lt;em&gt;23 Seconds &lt;/em&gt;o efeito hipnótico das espirais caleidoscópicas reserva momentos raros de transe onde a condição humana não é substituída por infindáveis ligações mecânicas ou &lt;em&gt;bites&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;bytes&lt;/em&gt; em excessos repetitivos. &lt;em&gt;23 Seconds&lt;/em&gt; é em muitos aspectos a evolução da consequência do encontro da matemática sonora dos Metamatics (no início), da experiência techno-jazz humana de Jonah Sharp no Spacetime Continuum de &lt;em&gt;Emit Ecaps&lt;/em&gt; e da sabedoria geométrica da velha escola IDM. Ou seja, uma consequência natural da mutação da memória e da destreza de alguma inovação. Um momento inteligente e complexo que servirá competentemente quem procura soltar as amarguras na pista de dança ou opta pelo sofá para espantar os espíritos alienígenas. Excelente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/R0gSECQ_vhI/AAAAAAAAAPA/PtGkub7LAn8/s1600-h/burial.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5136375235552984594" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/R0gSECQ_vhI/AAAAAAAAAPA/PtGkub7LAn8/s320/burial.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;BURIAL&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;UNTRUE&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Todos reconhecemos que o &lt;i&gt;hype&lt;/i&gt; que se cria em torno de um músico ou produtor nada facilita o processo criativo do mesmo. Talvez por isso, a superação do registo debutante é frequentemente uma dificuldade nata que tem na pressão um inimigo que corrompe o esforço que procura novos horizontes. E admitia-se que, amiúde, na falta de melhor entendimento para a necessidade de um novo caminho se opte por um trilho paralelo que conduza a música para uma realidade alternativa mas sem rupturas substanciais com o passado. Talvez se entenda como uma continuação, uma fuga da arte para um terreno pantanoso que permite o reconhecimento natural de percursos anteriores enquanto o tempo prepara novos azimutes.&lt;br /&gt;No caso de Burial seria de esperar uma curiosidade ampliada e um entusiasmo exagerado em torno de &lt;i&gt;Untrue&lt;/i&gt;. Admita-se, também, que a tarefa de suceder o álbum homónimo editado no ano passado não era tarefa fácil para quem assumiu uma posição de ruptura evidente com o &lt;i&gt;status quo&lt;/i&gt; da música de dança electrónica. O próprio Burial admitiu numa entrevista recente essa mesma dificuldade de superar o material que calmamente criara entre 2000 e 2005: &lt;i&gt;”I've just been trying to get back to why I wanted to make tunes in the first place. The first one got slightly out of where it belonged, and I found it a bit difficult to just block things out and make tunes in a low key way again…”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Então como poderá ser encarado este segundo capitulo na vida de Burial? Com naturalidade ou com desconfiança? Cada cabeça será livre de procurar o significado para as novas ideias da forma mais conveniente já que &lt;i&gt;Untrue&lt;/i&gt; permite varias leituras que vão desde o aproveitamento dos pressupostos iniciados em &lt;i&gt;Burial&lt;/i&gt; à paralisia do verdadeiro seguimento dos primeiros trabalhos. Em análise profunda, e diga-se de boa verdade, &lt;i&gt;Untrue&lt;/i&gt; não provoca o mesmo choque que o seu antecessor. Nem seria de esperar que a ruptura fosse muito evidente em tão pouco tempo. &lt;i&gt;Untrue&lt;/i&gt; não difere substancialmente no conteúdo e na forma, antes procura aperfeiçoar as técnicas de produção com rebordos vocais mais luminosos e geometrias 2-Step mais evidentes. E nada disso soará mal nesta música que se mantém desusada no escalão do dub e repleta de marcas únicas de autor.&lt;br /&gt;Com experiência adquirida, Burial produz um disco conceptual que simultaneamente procura pensar o futuro sem ignorar a matéria-prima que levou a sua música a ser elogiada por diversos quadrantes. O tom melancólico subsiste, mas sem repetições: as vozes soul, soberbas, deslizam tristemente pelo tempo num lamurio que adquire novas dimensões, as melodias reluzem uma beleza pós-apocaliptica e angustiada, os estalidos do vinil preenchem o espaço com inquietação, os baixos informes rugem com invulgar força vulcânica e as texturas rítmicas, longe dos paradigmas do dubstep, invocam o falso prazer físico e hedionista da pista de dança.&lt;br /&gt;Com &lt;i&gt;Untrue&lt;/i&gt;, Burial devolve com eloquência, e num tom ainda mais sedutor, a essência que nos apresentou há um ano e explora com entusiasmo o que a noite obscura e claustrofóbica de &lt;i&gt;Burial&lt;/i&gt; não permitia de livre vontade. Ou seja, e procurando uma metáfora que ilustre todo o quadro criativo, se o disco de apresentação representava o universo urbano escuro, soturno e sem esperança, &lt;i&gt;Untrue&lt;/i&gt; exibe os primeiros tons da alvorada - numa lenta fuga ao fusco fantasmagórico -, recupera os primeiros sentidos depois da ressaca &lt;i&gt;rave&lt;/i&gt; e restitui a confiança num futuro que se julgava perdido no cataclismo inevitável. Nesse prisma a capa não deixará de fazer perfeito sentido quando sugere alguma bonança na breve pausa para um café de um vulto mergulhado no desgosto. E se extrairmos prazer "religioso" dessa imagem pesarosa, não será vergonhoso admitir que Burial produz mais um disco sumptuoso, não obstante a bem aventurada e vaidosa redundância que aqui tem todos os motivos para continuar a existir.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/R0LDtyQ_veI/AAAAAAAAAOo/cson_C0C0XM/s1600-h/NeilLandstrumm+lp.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Neil Landstrumm&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Restaurant Of Assassins&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Para começar teremos de imaginar Benga, Skream, Leofah ou os Digital Mistikz na mesma caixa de ritmos que Altern 8, Shut Up And Dance ou Aphex Twin. Depois, para que tudo faça o mínimo sentido, abrir a mente a uma das mais complexas experiências electrónicas do ano, para no fim inalar a liberdade conceptual que &lt;i&gt;Restaurant Of Assassins&lt;/i&gt; força no sistema respiratório. Talvez assim se comece a discernir a lógica do caos que Neil Landstrumm lança na vertigem entre o mundo da nano-tecnologia e a realidade virtual.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Restaurant Of Assassins&lt;/i&gt; é simultaneamente uma obra espantosa e complexa. Ou espantosamente complexa. É difícil ignorar uma das mais sombrias experiências do ano que, além de devolver a substância que alimentou as raves na era hardcore-techno, devolve a especulação às linguagens mais ambíguas da electrónica actual e, na simultaneidade com que regenera o equipamento tecnológico que gera o dubstep no vácuo, dobra as barreiras sonoras com impressionantes doses de &lt;i&gt;bass&lt;/i&gt; distorcido pelo calor ou suga os baixos subsónicos para o vazio do espaço.&lt;br /&gt;Com o desenrolar do tempo junta-se alguma perplexidade pela invulgar estética que aqui ineloquentemente desfila. Do interior do núcleo celular deste corpo híbrido e&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/R0LHQCQ_vfI/AAAAAAAAAOw/Sxkzsos2GWs/s1600-h/NeilLandstrumm.jpg"&gt;&lt;/a&gt; alienígena, implode um conjunto maquiavélico de partículas sonoras díscolas e aparentemente desorganizadas, em que a lógica poderá não ser a melhor expressão que designe &lt;i&gt;Restaurant Of Assassins&lt;/i&gt; ou a mais indicada para entender o que leva tão impertinentes factos a conviverem com a necessidade de confusão, muitas vezes no mesmo tempo e no mesmo espaço. Diria que nesse caos reside o principal problema que não eleva este disco ao estatuto de facto estético. A precoce verborreia sonora resvala amiúde para a desconexão melódica e estrutural, fórmula quimica que os Altern 8 dominavam com perfeição.&lt;br /&gt;As ideias validas de &lt;i&gt;Rockers "The Underground King"&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Give Me Fire&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;Bleep Biopsy&lt;/i&gt; contrapõem-se com a falta de delicadeza estética com que muitos dos temas se apresentam. &lt;i&gt;Restaurant Of Assassins&lt;/i&gt; não deixará de ser um dos mais impressionantes corpos extraterrestres que aterraram neste terceiro calhau a contar do sol, mas alguma irracionalidade na distribuição das diversas energias deixa sobretudo perturbação e tumulto nas mentes que ouvem tamanha bizarria techno. No entanto a liberdade conceptual que o conjunto provoca não deixa de ser entusiasmante, isto se atendermos ao facto de muita electrónica actual padecer de um excesso de confiança na programação mais elementar. Talvez por esse motivo alguma mudança, por mais complexa, sombria, confusa e improvável que seja, é sempre bem vinda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RzmFx7joxOI/AAAAAAAAAOg/pmBca0Rrzek/s1600-h/-Oblivionwithbells.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;UNDERWORLD &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;OBLIVION WITH BELLS&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A história não perdoa. Se nada faria supor o sucesso de &lt;i&gt;Born Slippy/NUXX&lt;/i&gt;, nada faria querer que um tema pudesse ser tão ruinoso para um projecto que não ambicionava o estrelato do dia para noite. Um projecto com consciência da sua existência no universo, na sua essência, com capacidade de utilizar a matéria cósmica na busca profícua da luz num qualquer buraco do espaço. Um projecto que viu estilhaçado, por vontade própria, uma filosofia musical com potencial grandioso.&lt;br /&gt;A intensidade de &lt;i&gt;Dubnobasswithmyheadman&lt;/i&gt; (1994) semeava à sua passagem momentos voluptuosos onde a consciência bucólica encontrava o degrau para as imaginações épicas do sonho urbano. Sonho interrompido pela eficácia de um remistura que criou pólos magnéticos excessivos e que terá deixado a bússola de Karl Hyde, Rick Smith e Darren Emerson num frenético rodopio e sem azimute determinado.&lt;br /&gt;O nervo conceptual e a mesma inspiração que tecera obras inesquecíveis como &lt;i&gt;Sky Scraper&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Dirty Epic&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;Cowgirl&lt;/i&gt;, anos antes, diluía-se numa promiscuidade rítmica excessivamente hedeonista, distante do niilismo que &lt;i&gt;Dubnobasswithmyheadman&lt;/i&gt; por vezes evocava. E embora nunca tenham produzido um mau disco, os dias de &lt;i&gt;A Hundred Days Off&lt;/i&gt; (2002) acabaram por ser os momentos em que as almas de &lt;i&gt;Rez&lt;/i&gt; tomaram consciência da ausência de estratégia para além das actuações ao vivo. Ausência essa que acabou por lançar a banda para um impasse que acabaria por se agudizar com a saída de Darren Emerson que, anos antes, dera novo e importante fôlego para a criação do sumptuoso &lt;em&gt;Dubnobasswithmyheadman&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Agora em 2007, e aparentemente recuperados, Karl Hyde e Rick Smith aspiram à conciliação com o passado distante ou, num nível espiritual, com o possível desejo que deixaram escapar por entre os dedos da mão. &lt;i&gt;Oblivion With Bells&lt;/i&gt; não é &lt;i&gt;Dubnobasswithmyheadman&lt;/i&gt;, mas talvez seja o mais parecido no ângulo da concepção, na elaboração pragmática da sua sonoridade tipicamente densa, obscura e melancólica - com inspirações entre Eno, Nick Drake ou Can - ou na perseguição fugaz da gramática pop ou da semântica rock ou até mesmo na concepção gráfica da capa. É uma fórmula - com algumas sofisticações de &lt;i&gt;Beaucoup Fish&lt;/i&gt;(1999) - que não deixará ninguém boquiaberto ou desejoso de exageradas audições. Nada como algumas escutas merecidas para que se redescubra a eloquência da construção épica que só mesmo o techno inexacto dos Underworld sabe gerar. Um regresso saudável aos dias da génese ou o fim declarado da resaca? O futuro dirá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2435416063818699304-8351655238600556539?l=rbs-2007.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rbs-2007.blogspot.com/feeds/8351655238600556539/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2435416063818699304&amp;postID=8351655238600556539' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2435416063818699304/posts/default/8351655238600556539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2435416063818699304/posts/default/8351655238600556539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rbs-2007.blogspot.com/2008/05/balano-2007-2-momentos-negativos-ideia.html' title=''/><author><name>r.b.S</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12035987248499265783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_l4tkoYa3rwo/SHtuXHafv_I/AAAAAAAAAW0/cR0WZIcOG4o/S220/rbs..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/R1PhP3JjHKI/AAAAAAAAAPI/WO3cqTxS6MA/s72-c/Cobblestone+Jazz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2435416063818699304.post-2307140342560573052</id><published>2007-12-30T10:34:00.000-08:00</published><updated>2007-12-30T10:41:20.978-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Electrónica alemã: a actualização possivel em 2007&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Há muito que a Alemanha é um dos epicentros criativos mais activos da música electrónica. Apesar de ter contemplado a (r)evolução da cena rave na Inglaterra e o nascimento do &lt;i&gt;french-touch&lt;/i&gt;, nunca deixou de ser um pólo criativo único, possuidor de uma linguagem própria – nomeadamente o trance – capaz de disputar os meandros da house com os mestres de Chicago ou reconfigurar as linguagens dos padrinhos do techno de Detroit. Talvez por uma questão de identidade nacional, os alemães nunca deixaram de evocar os Kraftwerk como os pais de uma linguagem electrónica de caris experimental, onde se liam nas entrelinhas os princípios básicos de uma revolução popular prestes a acontecer – e que deixaram muitos ouvidos de prevenção nos finais de 70.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante muito tempo a Alemanha foi palco de projectos mediáticos e medíocres que podiam ir de um house trampolineiro e colorido a um horrendo techno carrinho-de-choque. Exceptuando nomes de uma vaga trance emergente (no início dos anos 90) – Jam &amp;amp; Spoon, Alter Ego, Sven Vath, Hardfloor ou Resistance D – pouco mais se podia encontrar à superfície que pudesse convencer quem, com dificuldade, tentava aceder ao material mais &lt;i&gt;underground&lt;/i&gt;, centro por excelência onde, ainda hoje, os movimentos nascem e se desenvolvem. E se depressa o trance se massificou à escala global, resvalando para uma epidemia duradoura e sem precedentes, a hora de desenvolver alternativas obrigou muitos académicos alemães a explorar as teorias do minimalismo que entretanto despontavam nos laboratórios da Minus de Richie Hawtin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relativamente discreta Basic Channel em Berlim tornou-se num ponto de atracção que foi cativando almas para um techno despojado. Um techno longe dos artifícios electrónicos que tanto caracterizaram as linguagens maximalistas, barulhentas e electrizantes das raves pós acid-house. Seguiram-se em Colónia a Kompakt, onde a tendência cada vez maior para o minimalismo dava a conhecer novos talentos como Wolfgang Voigt, Michael Mayer ou Superpitcher, e a Traum Schallplatten de Riley Reinhold; não ignorando, naturalmente, gente como Thomas Brinkmann ou Ricardo Villalobos, ambos produtores errantes que dividiam a sua vida entre Colónia e Frankfurt, onde também ficaram conhecidos pelos discos editados através da Perlon – relembre-se a série &lt;i&gt;Superlongevity&lt;/i&gt; que muito contribuiu para a massificação e uniformização do minimalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a Alemanha não é só sinónimo de techno minimal. Um sem número de projectos editoriais desenvolveram sonoridades nos finais da última década que tanto podiam ir das electrónicas com inspiração jazz/ soul (Compost Records e Sonar Kollektiv) às atitudes rebeldes electro/punk com sabor a anos 80 (International DeeJay Gigolo Records) ou as electrónicas variadas e experimentais como no caso da Morr Music ou a irreverente BPitch Control de Ellen Allien – que desde o momento da afirmação no mercado, tem contrariado o techno esquelético de Colónia apresentado algumas alternativas viáveis para um cenário pós-minimal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o mundo gira sem parar, não era de estranhar uma nova mudança de feitios e caracteres. No início do ano Pantha Du Prince não foi capaz, apesar de um disco muito interessante, de inverter alguma da lógica redundante que marcou o minimalismo nestes últimos anos. Os Digitalism por sua vez não convenceram com a dualidade Daft Punk vs electro-pop de 80 e ficaram-se por uma indefinição estética incapaz de criar uma identidade própria. Mas agora a situação é ligeiramente diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da Alemanha acabam de chegar três registos bem distintos que vêm provar que o techno minimal pode estar finalmente numa necessária recessão. Três discos que apresentam três ideias que engrossam a música electrónica e orientam as pistas para futuros caminhos: sejam eles uma ideia de regresso ao maximalismo (que encheu de vida as raves de início de 90), à exploração da plasticidade techno-pop em contextos abstractos ou as tentativas de invenção através da reinvenção dos métodos laboratoriais da composição IDM. Boys Noize, Supermayer e Modeselektor: três nomes e três ideias que confirmam um novo investimento sonoro numa nova direcção. O primeiro nome vem de Berlim e lança-se agora na aventura dos discos de longa duração, o segundo é um pseudo-super-grupo que nos traz dois senhores que estiveram envolvidos profundamente na cena minimal de Colónia e os terceiros, também de Berlim, procuram à segunda o reconhecimento negado à primeira. Novos ventos sopram, finalmente. Será para durar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RzB_eRuVnmI/AAAAAAAAANc/EJocczljwKk/s1600-h/bn+oioioi.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129740133705555554" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RzB_eRuVnmI/AAAAAAAAANc/EJocczljwKk/s200/bn+oioioi.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Boys Noize&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Oi Oi Oi&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Uma vez mais os Daft Punk andam nas bocas do mundo. Não porque tenham editado material recentemente, ou que a notícia de um novo álbum ao vivo tenha deixado as massas em delírio, mas porque 2007 é o ano em todos acordaram e redescobriram as virtudes de &lt;i&gt;Homework&lt;/i&gt;, pegaram nos despojos do electroclash ou do rock e tentam reinventar o paradigma que deu aos franceses a fama de inovadores destemidos. Depois do excelente &lt;i&gt;Cross&lt;/i&gt; dos Justice, do modesto Digitalism, de uns pobres Simian Mobile Disco, chega o projecto do alemão Alex Ridha: Boys Noize (projecto que de colectivo de rapazes tem muito pouco).&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Oi Oi Oi&lt;/i&gt; representa o segundo passo consistente na tentativa de redifinição do paradigma &lt;i&gt;Homework&lt;/i&gt; vs &lt;i&gt;Human After All&lt;/i&gt; – a seguir aos Justice, naturalmente – ou seja techno-house em colisão directa com uma atitude punk-rock. Por entre os exercícios robustos de regozijos ácidos, apresentam-se peças experimentais que procuram um espaço próprio no universo de Boys Noize. Um espaço relativamente indefinido, negro, duro, áspero, longe do electro/funk habitual e parcialmente oposto aos momentos mais festivos. &lt;i&gt;Oi Oi Oi&lt;/i&gt; devolve o vigor, o som e o barulho que as colunas julgavam ter perdido quando se instalou a moda do minimal. É o regresso às pistas dança de uma energia destorcida, intrépida e contagiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RzB-shuVnlI/AAAAAAAAANU/YzKXq4FL3DM/s1600-h/smayer.jpg"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129739279007063634" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RzB-shuVnlI/AAAAAAAAANU/YzKXq4FL3DM/s200/smayer.jpg" border="0" /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Supermayer&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Save The World&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O risco devia fazer parte significativa do jogo. Talvez por isso este é momento mais fraco deste pacote: &lt;i&gt;Save The World&lt;/i&gt; da dupla Michael Mayer e Aksel Schaufler (a.k.a. Superpitcher), os Supermayer. Não terá sido por falta de vontade ou iniciativa. Quando o objectivo é a aventura por novos caminhos, o resultado pode acidentalmente resvalar para uma inocência que no fim não beneficia o resultado final. &lt;i&gt;Save The World&lt;/i&gt; padece de uma ingenuidade que, não desvalorizando o esforço dos seus autores, assemelha-se a uma fuga precipitada do techno minimal para uma techno pop abstracta e ainda instável – com fugas ocasionais para o funk, o house e a péssima pop ambiental – que tarda em afirmar-se por ideias mais empreendedoras (&lt;i&gt;Asa Breed&lt;/i&gt; de Matthew Dear é a excelente excepção).&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Save The World&lt;/i&gt; não salva o mundo – por pouco não se salvava a si próprio – mas a vontade da dupla em fazer vingar um conjunto razoável de quadradinhos de banda-desenhada sonora, faz com que os momentos de prazer sejam reais e por vezes iluminados. O fim do mundo não se aproxima, mas é bom observar nomes ligados ao techno minimal em busca de novas paragens sonoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RzB-lxuVnkI/AAAAAAAAANM/CBURFZPlIgw/s1600-h/ms.jpg"&gt;&lt;strong&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5129739163042946626" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RzB-lxuVnkI/AAAAAAAAANM/CBURFZPlIgw/s200/ms.jpg" border="0" /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Modeselektor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Happy Birthday!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não será fácil a catalogação desta música, muito menos será um trabalho inteligível encontrar as referências que movem estes invulgares produtores alemães. Não o era com &lt;i&gt;Hello Mom!&lt;/i&gt; e muito menos será possível com o novo &lt;i&gt;Happy Birthday!&lt;/i&gt;. Entre a lógica profícua adquirida pelo conhecimento do mecanismo do breakbeat, o rigor geométrico da house, os desejos imediatos de um hip-hop cibernético, o dubstep aberto a estímulos exteriores, o dub em causa electro e as memórias da electrónica &lt;i&gt;artificial inteligence&lt;/i&gt; da Warp de outros tempos, Gernot Bronsert e Sebastian Szary apresentam-se à segunda com a mesma energia, a mesma consistência estética e o mesmo pensamento desusado e aventureiro que os caracterizou no álbum de estreia.&lt;br /&gt;As tipologias que aqui encontramos não foram inventadas hoje, mas a perspicácia de as trabalhar de forma muito pessoal recupera uma visão, não nostálgica, mas uma que nos leva a acreditar que há cada vez mais adeptos do espírito libertino que caracterizou a alvorada das raves (oiça-se "Hyper, Hyper" para perceber), sem problemas de assumir uma escola que marcou uma revolução ou de nos devolver um estilo de programação que se pensava perdido no reino da indolência. E não fosse um disco excessivamente longo, &lt;i&gt;Happy Birthday!&lt;/i&gt; seria certamente um disco único em 2007. Nada que não prejudique significativamente a inventividade de algumas peças bem pertinentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Publicado originalmente no Bodyspace&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RymkbhuVniI/AAAAAAAAAM8/y8-Z5MHLQ60/s1600-h/i2i.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;I2I &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Tempo Está a Acabar&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No momento em que a trajectória da premissa original dos I2I foi alterada, nada voltou a ser o mesmo. E se podemos afirmar que a mudança de curso não foi totalmente perniciosa, não deixará de ser pertinente referir que há música que nasceu para não ter palavras. A desconfiança que ainda existe entre nós em torno de temas hip-hop instrumentais impede a reverência da experiência e afasta algum pretensiosismo estético, que até seria desejavel. Em Portugal, com honrosas excepções de Sam The Kid ou Rocky Marciano, poucos têm investido nesse tipo específico de produção com receio de passarem despercebidos ou de serem incapazes de elaborar um punhado de temas com o mínimo de narrativa sonora.&lt;br /&gt;Os I2I iam no caminho certo. A componente instrumental d' &lt;i&gt;O Tempo Está a Acabar&lt;/i&gt; não sofre das limitações mecânicas que outros produtores demonstram na arte da construção dos beats e na criação de envolvências melódicas; aliás Michelangelo e K manifestam um sentido estético correctamente defendido e elaboram um conjunto competente de quadros sonoros apocalípticos que, tendo o trip-hop experimental e soturno como entusiasmante ponto de partida, encontram nos Sofa Surfers de &lt;i&gt;Encounters&lt;/i&gt; a verdadeira inspiração. Mas se os austríacos tinham consciência que o quadro apocalíptico sonoro que dominavam ajustava-se à mensagem politica pós-milénio, I2I revelam deficiências na integração dos seus convidados e permitem que as palavras inócuas arruínem os reais propósitos da operação.&lt;br /&gt;Não deixa de haver momentos entusiasmantes em que um conjunto de vozes sem corpo dão a forma desejada à perturbante estrutura que sustenta as ideias maquiavélicas da dupla, mas na grande maioria das vezes os convidados – Regula, Criatura, Fuse, Tekilla e Chullage – distinguem-se por verbalizarem uma escrita pobre, atafulhada e sem grande dignidade, onde o tempo e espaço raramente são respeitados. Para os convidados o ambiente não deixa de ser distante e alienígena, talvez por isso a adaptação a esta sonoridade seja difícil para todos e crítica para os objectivos de Michelangelo e K, que ambicionando uma maior exposição mediática ou uma desneceessária vassalagem ao rap, perverteram lógica da operação e atiraram ao fogo a oportunidade de deixar o seu marco na produção nacional. O que não deixa de ser uma pena.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RyRxaBuVnhI/AAAAAAAAAM0/4iyJ5V2KoD8/s1600-h/kanyeÂ´s+graduation.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Kanye West&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Graduation&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A guerra de vendas entre Kanye West e 50 Cent pouco ou nada acrescentará à história da música deste ano. Nem a eventualidade de uma disputa incentivou os neurónios de ambos para a criatividade pura. Perante os novos registos pouco haverá de pertinente para dizer tanto sobre &lt;i&gt;Graduation&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;Curtis&lt;/i&gt;. No caso de Kanye West, o rapper de Chicago parece – pela sugestão do título – estar a terminar um ciclo. E enquanto o seu ego e arrogância aumentam e o seu estatuto como supra-sumo do hip-hop norte-americano se eleva mais um nível, a música – que é o que realmente conta – vai lentamente perdendo algum fulgor criativo ou algum sentido lúdico.&lt;br /&gt;Kanye West é um produtor activo. Normalmente não padece da vulgar atrofia que assola muitos dos que fazem do hip-hop ou do r&amp;amp;b a sua vida. Assume-se, orgulhosamente, como um indivíduo que sabe escolher com quem trabalha e que com naturalidade sabe que o segredo para um bom tema nem sempre reside num &lt;i&gt;beat&lt;/i&gt; simplista ou numa rima brejeira. O sampler tem sido fundamental como ferramenta de trabalho. Com ele tem esquartejado trechos fantasmas da soul dos anos 60 e eloquentemente organizado uma base onde a força da palavra tem ganho sentido analítico. As orquestrações – umas mais verdadeiras que outras – terão certamente um contributo no ambiente pretendido mas é verdadeiramente na conjunção beat/sampler que encontramos a mola oculta da construção melódica.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Graduation&lt;/i&gt;, para que fique bem claro, não é um disco de ruptura. Soa a um fim de cíclo escolar, como se a aprendizagem tivesse chegado a uma conclusão. É um registo hip-hop elegante com muitos pontos de contacto com os dois primeiros álbuns – talvez mais com &lt;i&gt;Late Registration&lt;/i&gt; de 2005. A textura rítmica não varia muito, a promiscuidade com a pop mantém-se, as vozes soul de 60 – em tom estrumpfe – marcam a presença habitual e a verbosidade de Kanye confirma-o uma vez mais como um dos mais competentes MC da década. De resto pouco foi acrescentado à fórmula elementar deste hip-hop arraçado de r&amp;amp;b a não ser alguns elementos electrónicos que facilmente reconhecemos de alguma house europeia – nomeadamente os Daft Punk. Resumindo: &lt;i&gt;Graduation&lt;/i&gt; soa a pouco, mas não soa tão mal como &lt;i&gt;Curtis&lt;/i&gt; do frustrado 50 Cent.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Rx4bDn0EMlI/AAAAAAAAAMs/Z7warsoV7ao/s1600-h/ynq.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Yesterdays New Quintet&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Yesterdays Universe&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vindo de Madlib não será de estranhar que tudo não passa de um logro honesto. Nem será um ultraje acreditar que a forma nada convencional de trabalhar, traga ao mundo um facto que poderá alterar a perspectiva que temos sobre formas de produção. Ou sequer acreditarmos que um disco hip-hop não se assuma como tal e que o jazz seja a ferramenta mais utilizada para construir um disco que também não é jazz perante um grupo restrito de puritanos do free-jazz. Mas por estas linhas se cozem as ideias que constituem o quinteto virtual de um dos mais proeminentes produtores alternativos do hip-hop norte-americano: o Yesterdays New Quintet.&lt;br /&gt;É bom lembrar que Madlib é imparável e que a sua linha de montagem já produziu alguns dos mais impressionantes discos da década. Desde &lt;i&gt;Shades Of Blue&lt;/i&gt; a &lt;i&gt;Angles Without Edges&lt;/i&gt; ou de &lt;i&gt;Sound Directions: The Funky Side of Life&lt;/i&gt; a &lt;i&gt;Madvillainy&lt;/i&gt;, passando por um quase sem número de projectos paralelos na Stones Throw e produções para terceiros, Madlib não se tem restringido ao hip-hop como o entendemos na sua forma mais convencional, tem também procurado renovar a linguagem do jazz com recurso à mesa de mistura e ao &lt;i&gt;sampler&lt;/i&gt;, que normalmente são instrumentos primários na actividade de um DJ. Instigando não só a produção própria como Madlib, Quasimoto ou Madvillan ou o caso do primeiro disco de Y.N.Q. ou aproveitando o interesse da Blue Note para uma série de reconstruções que fizeram de &lt;i&gt;Shades Of Blue&lt;/i&gt; um clássico instantâneo, Otis Jackson Jr. é literalmente o homem dos sete instrumentos dos nossos tempos: tem visão clara do futuro em vez de uma clarividência enevoada, tem marca criativa que o torna num autor autêntico, produz a um ritmo alucinante sem nunca a sua música resvalar para o desinteressante e tem conhecimentos musicais transmitidos pela família - ou adquiridos de forma autodidáctica - que o inspiram no quotidiano.&lt;br /&gt;Neste novo disco do Yesterdays New Quintet o conceito não se fica pela exposição de mais uma série de temas tocados enquanto “colectivo”. É o próprio universo do projecto que é posto à prova: cada "elemento" deste quinteto virtual é incentivado a criar tendo por base as suas referências musicais. &lt;i&gt;Yesterdays Universe&lt;/i&gt; é no fundo uma súmula dos estilos dos seus elementos, uma antologia que retrata a visão única dos supostos músicos que constituem um projecto que na verdade se resume a uma pessoa. E se The Last Electro-Acoustic Space Jazz Ensemble, Kamala Walker &amp;amp; The Soul Tribe, Monk Hughes &amp;amp; The Outer Realm, Young Jazz Rebels, Jackson Conti, The Jazzistics, Malik Flavors ou Ahmad Miller não passam de nomes fictícios, já cada um desses mesmos nomes terão uma ligação pessoal a Madlib; possivelmente facetas diversas de um músico que combate diariamente pelo controle de todos os elementos criativos na sua alma.&lt;br /&gt;Tal como &lt;i&gt;Angles Without Edges&lt;/i&gt; de 2004, este novo &lt;i&gt;Yesterdays Universe&lt;/i&gt; é um empilhamento sonoro impressionante, tanto nas referências - que podem ir de Sun Ra a Miles Davis, do samba ao &lt;i&gt;blaxpoitation&lt;/i&gt; -, na forma como a produção sobrepõe sons de forma caótica mas que no fundo cria uma massa jazz robusta ou ainda nas diversas vertentes de um jazz inconformado que criam uma homogeneidade estética sem paralelo nos últimos tempos. É certamente um disco que não entra com facilidade, nem se sente de imediato. Mas depois de descoberto provoca arrepios na espinha e deglute-se com um prazer inestimável. E se não ignorarmos o facto de nada naquele grupo de pessoas criados por Otis Jackson Jr. ser verdadeiro, nada como nos sentir enganados de vez em quando para apreciar um projecto de fantasmas que "tocaram" até hoje a melhor música produzida por Madlib.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RxcfkX0EMjI/AAAAAAAAAMc/noZQNp9f13A/s1600-h/kala.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;M.I.A.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;KALA&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A jovem Maya Arulpragasam têm se divertido com o sucesso: &lt;i&gt;From Day One, this has been a mad, crazy thing: I say the things I'm not supposed to say, I look wrong, my music doesn't sound comfortable for any radio stations or genres, people are having issues with my videos when they're not rude or explicit or crazy controversial. I find it all really funny.&lt;/i&gt; Não se estranhe o divertimento quando existe por entre uma postura provocatória um lado mais inocente que a leva a acreditar que as posições que toma são meras opiniões casuais e não posições politicas próprias. Se Maya não tivesse consciência do mundo em que vivemos até poderíamos acreditar que toda a controvérsia acontece por acaso, mas a verdade é bem mais linear: M.I.A. têm uma mensagem firme que objecta a hipocrisia ocidental em relação aos chamados países do terceiro mundo.&lt;br /&gt;Desde as polémicas com um clipe na MTV – com um apoio explicito à libertação da Palestina – à recusa de entrada em território norte-americano por parte das autoridades de imigração, M.I.A tem se sujeitado a uma certa desconfiança que cresceu tanto em torno da mensagem emanada bem como da postura que tem assumido em público. E se as suas origens familiares a habituaram a perseguições politicas, a sua personalidade segue determinados princípios por respeito ao legado deixado pelo pai – M.I.A. refere-se especificamente à situação &lt;i&gt;missing in action&lt;/i&gt; de seu pai – e assume-se como contestaria de um sistema corrompido pelo dinheiro.&lt;br /&gt;Depois de uma estreia auspiciosa em 2005, Maya lançou-se em viagens sucessivas. India, Trinidad, Jamaica, Australia e Japão foram algumas das paragens que viriam a inspirar um novo testamento. Uma nova missiva que, não deixando cair a atitude proverbial de &lt;i&gt;Arular&lt;/i&gt;, viria reforçar não só a sua imagem rebelde, bem como aprofundar os propósitos que deram a conhecer ao mundo uma das poucas jovens com princípios politicos definidos. &lt;i&gt;Kala&lt;/i&gt; é, agora, esse tão aguardado recado ao mundo: um manifesto que tanto se disponibiliza a dar no "cravo" como na "ferradura".&lt;br /&gt;Uma vez mais a voz peculiar de M.I.A. não vem ao mundo despojada de ritmos robustos. Com a colaboração de The Wilcannia Mob, Diplo, Blaqstarr, Timbaland e especialmente do produtor Switch, a jovem britânica de origens Tamil, não esconde a África como ponto de referência geográfica de uma sonoridade cada vez mais ambiciosa, mas também mais abrangente: o dub da Jamaica ganha protagonismo, o grime reflecte a angústia dos guetos suburbanos de Londres, o samba movimenta-se dissimuladamente, o disco-house quase "pimba" distrai a humanidade para acepções hedonistas, a música do mundo – em especial as texturas indianas – expõe um conhecimento que vai para além dos monumentos mais emblemáticos. Mas é em África que Maya se movimenta com naturalidade. É no continente negro que encontra a inspiração selvagem e que se sente com profunda apetência para berrar ao mundo com sentido oportunista.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Kala&lt;/i&gt; deseja veemente glória, tem sede de vingança, é como um animal em fuga do cativeiro que corre pelo mato não em busca de um novo dono mas em busca de uma nova sensação de liberdade. "Hussel", "Birdflu", "World Out" e "Boyz" são sem dúvida momentos perfeitos que reflectem essa ideia de um bicho em livre arbítrio após o cativeiro. "Bamboo Banga" e "Jimmy" já aproveitam para diversificar a paisagem com tons exóticos indianos. O bravio "Mango Pickle Down River" reverencia o hip-hop claustrofóbico com um sopro &lt;i&gt;didgeridoo&lt;/i&gt; australiano em espirais hipnóticas. O resto do disco, talvez mais domesticado, aproveita para reservar espaço a uma sonoridade com um apelo pop que tanto permite a presença de Timbaland em "Come Around", como o gangsta-pop provocante de "Paper Planes". Tudo em bom-tom, mas longe de banalidades.&lt;br /&gt;Aliás essa é uma das qualidades de &lt;i&gt;Kala&lt;/i&gt;. Para além da diversidade estilística, todos os temas vivem de um equilíbrio entre o lado mais selvagem dos ritmos e as texturas mais ambíguas de uma electrónica em estado experimental. Mais-valia equacionadas num joguete onde M.I.A. tenta inteligentemente virar o rato contra o gato. Estratégia essencial no mundo em que vivemos, isto se pretendemos uma alternativa ao &lt;i&gt;status quo&lt;/i&gt; em que a humanidade vive encalhada e do qual ainda não se preocupou em libertar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Rw4QGn0EMiI/AAAAAAAAAMI/XFy22gJwMl0/s1600-h/BjornTorske.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Bjørn Torske&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Feil Knapp&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Uma vez mais o norte da Europa. Especificamente a Noruega como ponto central no velho continente onde o frio provoca convoluções na electrónica e a transforma numa manta onde diversas tipologias são retratadas e elaboradas em ponto de ebulição. O resultado não será mais que uma mescla quente que evoca um certo prazer sem ser excessivamente hedionista, que devolve o verdadeiro sentido da especulação à arte e ainda sente a necessidade de expor uma visão singular sobre a matéria-prima, implodindo-a a partir do seu núcleo. O resultado é quase um espectáculo de partículas que se espalham pelo tempo e espaço. Um espectáculo visual que entusiasma quem com regularidade vai tomando conhecimento do melhor que se vai produzindo nesta área.&lt;br /&gt;Lindstrom, Prins Thomas, Todd Terje e uma vez mais Bjørn Torske são alguns dos nomes noruegueses ligados à música electrónica que rejeitam as conjecturas da indústria e constroem retratos sonoros invulgares sem num único momento criarem corpos estranhos e irreconhecíveis. Ou seja, lidam de forma pragmática com a arte, não rejeitam as tipologias mas conseguem devolver alguma ingenuidade à música que aprenderam a gostar na adolescência. A obsessão pelo disco-sound é prova evidente dessa ideia: institui-se um paradigma e lentamente ele vai sendo decomposto e digerido pela especulação inocente a que todo o artista devia ter direito por mérito próprio.&lt;br /&gt;Não sendo muito preciso colocar Torske na mesma bagageira de Lindstrom ou Prins Thomas, e apesar de existirem neste &lt;i&gt;Feil Knapp&lt;/i&gt; pequenos pontos de contacto – "Hatten Passer" e "God Kveld" –, a obsessão de Torske neste novo disco é o dub e não tanto o disco-sound. É na Jamaica que o autor encontra a fonte de inspiração, é de lá que é reconhecemos a capacidade de erguer texturas melódicas que vão ecoando pelo tempo. Nem sempre identificamos o dub de forma óbvia, como em "Spelunker" – primoroso Spektrum 128K vs Augusto Pablo – ou "Kapteinens Skjegg", amíude ele camufla-se por entre o disco, o house baleárico ("Loe Bar") e outras precursões com origens pouco consensuais – "Tur I Maskinparken" ou "Møljekalas".&lt;br /&gt;Os devaneios são saudáveis, charmosos e expressivos. A música evoca liberdade e uma melancolia sã, ela revela o tempo que calmamente levou a ser preparada – o último disco de Torske data de 2001. Tudo o que é exposto ouve-se num ápice como se se tratasse de uma música propositadamente &lt;i&gt;light&lt;/i&gt; e de consumo instantâneo. A abrangência estilística é deleitante e eloquente, visivelmente resultante de uma inteligência que tem noções claras de como a operação em estúdio deve decorrer – e de como se devem atingir os objectivos. Bjørn Torske tem finalmente mérito próprio, soube decompor a matéria e teve tempo para a digerir. Transmite uma sensação de ingenuidade mas sabe bem que aí reside a mais-valia de um som que vê uma série de partículas assentarem no sítio certo. O espectro de &lt;i&gt;Feil Knapp&lt;/i&gt; é integro e de muito bom gosto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;MÚSICA SOUL NASCIDA NA ALEMANHA: VERDADEIRAS SESSÕES COM ALMA&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A velha retórica filosófica poderá definir a alma como algo imaterial, inexistente para além de uma auto-consciência de valores éticos e morais erguidos por religiões impregnadas por paradigmas de orientação espiritual. E se enquanto vivos acreditamos que temos uma alma capaz de despoletar emoções e competente para distinguir o bem do mal, já haverá dúvidas sobre que caminho toma a mesma depois da morte. As religiões não se poupam a certezas. As doutrinas de cada uma assim o provam. A ciência dúvida. As filosofias especulam. No fim, o homem acreditará no que quiser, apesar das religiões serem as que melhor conseguem “materializar” o ser e a sua essência num “pacote” único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem saberá melhor que ninguém a necessidade de exteriorizar emoções. A angústia tem e sempre teve um aperto singular na expressão da alma. No caso da música soul, e em especifico o embrião que foi o gospel, a manifestação religiosa tomou as rédias de uma expressividade individual que mais tarde se foi politizando. Da raiva, do amor, da necessidade de liberdade até a uma afirmação racial de princípios próprios, a música, que começou por ser entoada em campos de trabalho e depois generalizada em encontros religiosos, tornou-se no veículo por excelência de verbalização de revoltas individuais, de denúncias de opressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É historicamente inegável que muita da música contemporânea tenha nascido num caldeirão afro-americano onde o confronto descarado entre a angústia e uma alegre liberdade espiritual tenha sido o principal motor para a erecção de paradigmas fundamentais que ainda hoje subsistem na nesta cultura multiracial. Da interpretação da bíblia às primeiras entoações religiosas em vozearia &lt;i&gt;black gospel music&lt;/i&gt;, das &lt;i&gt;praise songs&lt;/i&gt; aos acordes &lt;i&gt;blue note&lt;/i&gt; que inspiraram os blues, do ragtime do final do século XIX ao jazz, da miscelânea &lt;i&gt;rhythm and blues&lt;/i&gt; às primeiras harmonias rock, do funk ao hip-hop, a matriz sonora afro-americana cresceu e evoluiu para além do bundo que dominava as choças da escravatura para um conjunto de linguagens suburbanas – hoje completamente refinadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alma tomou forma como música bem para além das velhas teorias filosóficas. Ela tornou-se viva, consciente e material através de acordes instrumentais e vocalizações. Aliás é na voz que a alma se expressa. É a voz que formaliza o conceito soul, que constrói uma identidade estética que dá forma a emoções ora alegres ora tristes. É nela que se tornam transparentes alguns costumes seculares: a tradição religiosa e o respeito pelo núcleo familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o evoluir das ultimas décadas, a música soul foi se caracterizado. De Sam Cooke a Ray Charles, de Little Richard a James Brown, da Stax Records – onde militaram Otis Redding ou Isaac Hayes – à concorrente Motown – onde cresceram vozes singulares como Marvin Gaye, as Supremes, os Temptations ou os Jackson 5 – a &lt;i&gt;soul music&lt;/i&gt; cresceu e deu ao mundo alguma das mais tocantes músicas, algumas mesmo intemporais, sugerindo todas elas uma certa sensação de alívio e um prazer espiritual capaz de devolver luz às trevas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de um evidente negócio para muitas corporações, há ainda alma na música soul, ainda há um coração que bate para além dos lucros. Mas mais importante, e talvez muito ignorado nos últimos anos, ainda existe uma capacidade de distanciar-se dos piores exemplos estilísticos do r&amp;amp;b – para não falar de uma propositada intenção das majors em confundir a música soul tradicional com a tradição mais abrangente de um r&amp;amp;b aberto aos mais disparatados estímulos. A música soul de cariz tradicional tem tido a sua evolução natural, a instrumentalização tornou-se mais eloquente, as electrónicas fizeram-se sentir. Mas se o termo tradicional se poderá aplicar mais a um tipo de escrita, a tradição também poderá ser posta à prova com a introdução de ideias capazes de estimular a criatividade dos seus autores, bem como entusiasmar quem aprecia um género que se estima pelo aparente conservadorismo da sua ideologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de nos últimos anos a soul andar perdida num labirinto criado pelo r&amp;amp;b brejeiro de Hollywood e por vezes ser refém de uma determinada imagem criada pela MTV, ainda surgem nomes fora do típico circuito – femininos, no caso que este artigo apresenta – interessantes o suficiente que, sem estarem presos ao eterno filão da Motown, da Stax ou Fame, criam com os mesmos sentimentos que moveram Gladys Knight, Aretha Franklin ou Carla Thomas e, numa aparente comunidade virtual, comungam interesses com vozes contemporâneas como Jill Scott, Erykah Badu, India.Arie, Meshell Ndegeocello.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ayo e Joy Denalane são jovens e nasceram na Alemanha. Ambas vêm o mundo à sua maneira. São duas formas de interpretação. Dois tipos de formalidade soul em que ambas prestam homenagem aos clássicos e simultaneamente abrem a porta para um abrangência estilística que enriquece o cânone da soul no mundo. Eis os mais interessantes registos soul dos últimos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RwYozX0EMfI/AAAAAAAAAL0/VkOjc9FEfYI/s1600-h/ayo_-_joyful.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5117822889583981042" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RwYozX0EMfI/AAAAAAAAAL0/VkOjc9FEfYI/s320/ayo_-_joyful.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Ayo &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Joyful&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nascida na Alemanha, criada por pai nigeriano e mãe romena, Joy Olasunmibo Ogunmakin apresentou-se ao mundo em 2006 como Ayo. &lt;i&gt;Joyful&lt;/i&gt; é o primeiro resumo de um percurso que também passou por Paris. E não sendo um perfeito exemplo sonoro que tenha captado a música do mundo é um facto incontornável que a música de &lt;i&gt;Joyful&lt;/i&gt; transborda algumas das mais belas influências da soul clássica norte-americana sem nunca negar as raízes da sua autora. Não influi, nem se deixa contaminar pelas referências mais óbvias da soul, folk ou do reggae. Também não é a típica soul que a América nos tem habituado. É apenas a música que a sua autora queria que fosse: a vocalização dos seus desejos, dos seus medos, dos seus amores. E escreve por respeito ao legado familiar e pela deferência a Deus. Tudo vai acontecendo de forma normal e até inocente. Evoluindo espontaneamente por entre acordes de guitarra em tom folk e precursões elementares com o cheiro da terra africana nos pés. &lt;i&gt;Joyful&lt;/i&gt; soa falsamente rústico. Revela uma invulgar eloquência na composição. É solarengo, quente, húmido. É afectuoso sem incomodar com abraços complacentes mas obsequioso na forma como envia a sua mensagem à alma humana.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/qYzrYXRGWkU" width="525" height="450" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RwYozn0EMgI/AAAAAAAAAL8/XAEQekUdYBs/s1600-h/joy_denalane_-_born_aised.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5117822893878948354" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RwYozn0EMgI/AAAAAAAAAL8/XAEQekUdYBs/s320/joy_denalane_-_born_aised.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Joy Denalane&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Born &amp;amp; Raised&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sentido ainda um certo complexo pela forma como cresceu na cidade de Berlim, como foi educada por pais de origem sul-africana e como a soul a influenciou como pessoa, ao segundo disco Joy Denalane revela-se finalmente ao mundo. Depois de &lt;i&gt;Mamani&lt;/i&gt; de 2002, &lt;i&gt;Born &amp;amp; Raised&lt;/i&gt; confirma as ideias e propósitos que levaram Denalane a decidir-se pela música a tempo inteiro: a necessidade de comunicar, de explorar a luz da verdade, de rogar a Deus e agradecer pela pessoa que em se tornou.&lt;br /&gt;Produzido em Filadélfia, a soul de &lt;i&gt;Born &amp;amp; Raised&lt;/i&gt; é na maioria das vezes genuína e séria. O hip-hop estabelece a cadência e a inspiração no gospel domina a acção sem embaçar desnecessáriamente o pretendido. A voz denota uma certeza profissional e profícua na comunicação com outros espíritos. Este segundo registo da alemã não será radicalmente diferente dos propósitos neo soul que trouxeram ao mundo discos como &lt;i&gt;Who Is Jill Scott? Words and Sounds Vol. 1&lt;/i&gt; de Jill Scott, &lt;i&gt;Mama's Gun&lt;/i&gt; de Erykah Badu ou &lt;i&gt;My Life&lt;/i&gt; de Mary J. Blige (do qual é fã assumida).&lt;br /&gt;A colaboração com Lupe Fiasco ou Raekwon não é uma inocente mais-valia que mostre um distanciamento da neo soul tipificada na América. &lt;i&gt;Born &amp;amp; Raised&lt;/i&gt; ganha quando pensa e fala por si ou se deixa contagiar pela escola soul de 60; quando se inspira na vida de Joy Denalane e se torna um registo algures entre o biográfico e a observação do quotidiano. Mas também perde um pouco do que poderia ter sido quando se distrai em alguns maneirismos r&amp;amp;b. Nada que a simpatia que derrama não faça esquecer num ápice&lt;/span&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/SmVSsO6-d_c" width="525" height="450" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2435416063818699304-2307140342560573052?l=rbs-2007.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rbs-2007.blogspot.com/feeds/2307140342560573052/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2435416063818699304&amp;postID=2307140342560573052' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2435416063818699304/posts/default/2307140342560573052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2435416063818699304/posts/default/2307140342560573052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rbs-2007.blogspot.com/2007/12/electrnica-alem-actualizao-possivel-em.html' title=''/><author><name>r.b.S</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12035987248499265783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_l4tkoYa3rwo/SHtuXHafv_I/AAAAAAAAAW0/cR0WZIcOG4o/S220/rbs..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RzB_eRuVnmI/AAAAAAAAANc/EJocczljwKk/s72-c/bn+oioioi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2435416063818699304.post-3280157312597943790</id><published>2007-11-06T07:00:00.000-08:00</published><updated>2007-11-06T07:09:12.564-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RveknKhm7VI/AAAAAAAAALk/wA4DN-aeZNY/s1600-h/common.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;COMMON&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Finding Forever&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Do título podemos já extrair a primeira ideia: Common procura a eternidade. Mais, procura inscrever o seu nome nos anais da história. Talvez assim se comece a perceber a ambição do rapper. Não será o primeiro a ter essa ambição, nem será o último. E não fosse &lt;i&gt;Be&lt;/i&gt;, de 2005, provavelmente o rapper de 35 anos teria editado agora o seu melhor disco. Teria o derradeiro momento de glória que o projectaria para um nível de realização pessoal muito para além do que qualquer um de nós poderia sequer imaginar. Mas &lt;i&gt;Be&lt;/i&gt; foi o verdadeiro momento de viragem tanto na forma de abordagem sonora, como da própria mutação da personalidade de Common.&lt;br /&gt;O disco de 2005 foi o obvio resultado de uma introspecção pessoal. De uma deslocação de uma determinada postura mais rebelde para uma atitude adulta e responsável. Uma atitude que questiona a alma, que acredita na realidade, mas que desconfia de boa parte dos paradigmas da sociedade. No fundo, &lt;i&gt;Be&lt;/i&gt; foi a consequência de Common ter tocado em Deus. De ter visto uma luz potenciadora de clarividência. Resultado da abertura de uma alma para um mundo de paradoxos, mas também a percepção de uma esperança suficientemente revigorante para alimento espiritual.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Finding Forever&lt;/i&gt; não será mais que uma consequência natural de &lt;i&gt;Be&lt;/i&gt;. Um novo capítulo de mesmo livro. O novo disco não é uma continuação óbvia, mas também não será a revelação que foi disco anterior. &lt;i&gt;Finding Forever&lt;/i&gt; será quase uma analogia contemporânea ao clássico &lt;i&gt;The City on The Edge of Forever&lt;/i&gt;. Um desenvolvimento dramático onde o hip-hop, a soul, o gospel e o r&amp;amp;b são chamados ao cenário e forçados a interagir, onde consciências são alertadas e mentes chamadas à atenção para o perigo do desaparecimento de uma linearidade familiar.&lt;br /&gt;Entre a revolta interior, a alquimia que permite melancolia e a alegria, retratos urbanos, banalidades sociais e a necessidade da inspiração religiosa, Common volta a ser certeiro na proverbial expressão dos seus sentimentos. Uma vez mais Kanye West serve de base para uma produção imaculada, não muito aventureira mas proficiente o suficiente para que a alma se expresse com eficiência. “Start The Show” e “Forever Begins” são prova disso mesmo quando de uma forma quase sublime nos encantam com uma linguagem hip hop e soul muito acima da mediocridade que reina no meio. Talvez a própria distancia entre Detroit e Hollywood seja um factor essencial para que não haja contágios com o burlesco que a industria manipula.&lt;br /&gt;Calmo, sereno e sério são posturas que Common assume uma vez mais. São estados de alma que se encontram, são hipocrisias que se apontam. &lt;i&gt;Finding Forever&lt;/i&gt; seria uma obra-prima da soul, um objecto de idolatria garantida. Tudo se &lt;i&gt;Be&lt;/i&gt; não tivesse nascido primeiro. Tirando esse facto incontornável, não poderíamos esperar melhor num ano parco em boa música afro-americana. Curiosamente, o novo disco de Kanye West também já está por aí. Será desta que os percursos de dois mestres do hip-hop se tornão paralelos? A ver vamos. Garantido é que &lt;i&gt;Finding Forever&lt;/i&gt; é um bom disco. Se será o derradeiro momento de glória, isso só o futuro dirá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RvKdK23P6CI/AAAAAAAAALc/t4xu5jiTeLU/s1600-h/ebb.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;EBB&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;LOONA&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Como diria Ebb: &lt;i&gt;“The north of Sweden is during winter, very cold and snowy, and there are never-ending forests and wide horizons”&lt;/i&gt;. Não será um mero acaso da Natureza a urgência que alguns músicos e produtores do norte da Europa encontram na elaboração de retratos da terra natal em confronto directo com uma linguagem electro-acustica descongeladora de sentimentos variados. Ora venham da Islândia uns Sigur Rós ou Múm, da Noruega Erlend Oye ou uns Royksopp e agora da Suécia um Ebb, parece existir uma partilha inconsciente de ideias numa comunidade de músicos habituada ao frio polar.&lt;br /&gt;Tendo crescido em Luleå no extremo norte sueco, Ebb habituou-se ao pacífico estado de alma que a natureza local lhe incutiu na personalidade. E mesmo tendo decidido deslocar-se para a cidade, o profundo contacto que sempre teve com a terra natal não se lhe obliterou da memória. E &lt;i&gt;Loona&lt;/i&gt; é prova disso. Entre as pulsações nervosas de uma electrónica irrequieta e a calmaria poética que as suas melodias invocam, nasce um contraste evidente entre os sonhos inocentes de uma criança envolta pelo denso verde de uma floresta enevoada e a fadiga nerval que acelera o metabolismo e explora desnecessariamente o limite da tensão humana.&lt;br /&gt;E será uma vez mais essa resistência que expõe o melhor de dois mundos a mais-valia que torna Ebb num músico de ideias respeitáveis no universo da &lt;i&gt;folktronica&lt;/i&gt;. O tema de abertura – e que dá título ao disco – é um dos soberbos momentos que reflecte para o resto da música o espírito que poderemos encontrar ao longo de uma hora: uma formalidade pop que se solta com estalidos e &lt;i&gt;bleeps&lt;/i&gt; em tom experimental. A eloquência da composição assegura-nos a integridade. A electrónica auxilia a aventura fazendo com que a máquina pulse vida sem que se olhe para ela como um biónico com excesso de programação.&lt;br /&gt;O tom melancólico de “Loona” e “When Dusk Begins” relembra a outrora perfeição etérea que Sigur Rós perderam. Em “I Am All Made Of Music” os Royksopp são chamados à memória quando a interface entre a noção de melodia perfeita e o equilíbrio das electrónicas elegantes é necessário para sustentar a ideia prima. Já “Minau” vive suspenso entre as hesitações atmosféricas dos Múm e as certezas rítmicas de Four Tet. As aproximações a uns Kings Of Convenience também não passarão despercebidas, tanto que a necessidade de expor emoções não difere substancialmente, independentemente da impressão menos acústica ou mais electrónica de Ebb.&lt;br /&gt;Não viveremos em &lt;i&gt;Loona&lt;/i&gt; o absoluto reconhecimento de um novo mundo, agora já podemos viver na necessidade de descobrir, quanto antes, um disco pop que agradará a quem encontrou nos Junior Boys o ideal de canção perfeita. Frio por fora e quente por dentro, &lt;i&gt;Loona&lt;/i&gt; reconforta-nos com a sua delicadeza natural, embala-nos a alma com a sua monção poética e derrete o gelo sem grandes contrariedades. Nem se esperaria mais em tempos de aquecimento global.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RuZhWl79zAI/AAAAAAAAAKg/7rhJJLyTEBk/s1600-h/Belleruche.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Belleruche&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Turntable Soul Music&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando algumas fórmulas se repetem em &lt;i&gt;loop&lt;/i&gt; numa tentativa desesperada para colocar em primeiro plano ideias que só por si têm alguma dificuldade em sustentarem-se pelo próprio pé e a tudo juntam uma voz em pura revelação, existe na génese uma deficiência reveladora de pobreza de concepção que nem faz brilhar uma voz esforçada nem procura a eloquência de um &lt;i&gt;groove&lt;/i&gt; perfeito. E fazer com que tudo soe a velho poderá também não ser a melhor forma de convencer quem, à primeira, desconfia dos propósitos da operação Belleruche comandada pelo guitarrista Ricky Fabulous e pelo modesto DJ Modest.&lt;br /&gt;Seja pela ideia quase básica de um &lt;i&gt;turntablism&lt;/i&gt; inspirado pelo jazz, pelo funk ou pelos blues, as especulações entorpecidas em torno de um trip-hop esquecido ou a invocação da recente memória de um Mr Scruff em dias dourados, a retórica de &lt;i&gt;Turntable Soul Music&lt;/i&gt; não passa de mais um argumento inválido que envoca a memória do cânon soul e blues resguardado pelo hip-hop. Por outras palavras, aqui não há nada que uns Break Reform já não tenham tentado, por mais que uma vez, impingir – com um pouco mais de sabedoria – aos mais impetuosos consumidores de soul com traços europeus. Muito menos existe uma vontade de quebrar paradigmas instalados – no mínimo à 10 anos – pelo catálogo da Ninja Tune.&lt;br /&gt;Em &lt;i&gt;Turntable Soul Music&lt;/i&gt; os ritmos circulam instintivamente em &lt;i&gt;loop&lt;/i&gt;, os samplers jazz rebuscados ajustam-se cautelosamente a uma voz que talvez seja a única mais valia que por aqui se ouve. Kathrin deBoer, inspirada por algumas das divas intemporais como Nina Simone, Billie Holiday, Sarah Vaughan ou até mesmo Eryka Badu, ensaia – ou pelo menos tenta – varias visões sobre a matéria por elas deixadas como legado e recontextualiza – uma vez mais – num tom melancólico todo mundo urbano refém da sua própria arrogância claustrofóbica ou cinzentismo abstracto.&lt;br /&gt;Para além dos raros momentos em que Kathrin salva alguns exercícios preguiçosos do colapso absoluto – “Reflection”, “Balance” e “13.6.35” são os momentos espiritualmente mais coloridos – não haverá muito mais a esperar de um disco estafado ideologicamente à nascença. Não que o género esteja longe de potenciar novas revelações, apenas há ideias que necessitam de séria estruturação e não apenas de mera aglomeração de referências moídas pelo tempo em que estiveram expostas ao mercado sôfrego. Por isso exige-se actualmente mais espírito para dar cheiro novo ao velho e não apenas naftalina para disfarçar o mofo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RuBAz179y_I/AAAAAAAAAKY/N-63nsRS6XY/s1600-h/MAP.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;MAP OF AFRICA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;Um paradoxo dos nossos tempos. Dois senhores da música de dança criam um disco rock fora de tempo, confuso mas agradavel. O que virá a seguir?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Poderia supor-se pelo título que se trata de uma viagem ao coração de África. Poderíamos supor que através dos “mapas” redescobrir-se-ia a centelha ignescente de toda a música popular contemporânea. Que estaríamos perante um dos raros momentos de reflexão cultural onde revelar-se-iam os antípodas ancestrais. Pois se pensavam, enganem-se.&lt;br /&gt;Perante o verdadeiro impasse criativo que esta época está proporcionar, a ausência de rumo definido poderá não só significar – e justificar – o amalgamar sem prumo de referencias passadas, como desviar a riqueza estética de outrora numa tentativa de recuperação desesperada de um virtuosismo desaparecido como se de uma arca perdida se tratasse. E se não chegasse meia dúzia de anos do novo século para o provar, há quem não desista da subsistência seja pelo meio que for. Os diversos oportunismos – alguns positivos, outros negativos – têm não só confundido o trajecto para o futuro, como têm traído quem já tinha a certeza do que não queria.&lt;br /&gt;E onde se encaixa o projecto destes manifestos militantes da actual música de dança? O que realmente pensar da ousadia de Harvey Basset e Thomas Bullock num período que parece revelar alguma revitalização da &lt;i&gt;dance scene&lt;/i&gt;? Talvez nada. Talvez mereça a oportunidade do ouvinte que, ignorando as diversas referências que vão desde os Pink Floyd, Dire Straits ou mesmo LCD Soundsystem, encare a peça &lt;i&gt;Map Of Africa&lt;/i&gt; como um velho desejo tornado realidade. Ou sinta a poderosa vontade de uma dupla em desdobrar-se em esforços e compor um disco rock com um falso espírito épico. Ou encare ainda isto apenas como um disco onde a música extravaza o prazer que deu em ser elaborado.&lt;br /&gt;Paradoxalmente, o disco está desfasado do seu tempo e no entanto reside aí o prazer de ouvir uma música sem compromissos de futuro. O registo é linear no pensamento que sustenta, numa certa rebeldia contida, descaradamente oportunista – talvez positivo – no tempo em que vê a luz do dia. No entanto para Harvey e Bullock não será a fama ou o dinheiro o motivo para a encarnação nesta forma de estar. Talvez garanta a subsistência ou talvez se trate de uma estranha cruzada em busca da felicidade. Agora certo é que não se trata de um achado milagroso que seja um fiel retrato da cultura musical dos nossos dias. E se a dupla confunde o ouvinte com um título sem uma aparente razão de ser ou com uma capa misteriosa, fará as delícias de quem, por pequenos momentos, deseje esquecer os últimos 25 anos da música contemporânea. Confuso mas aprazível. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;Eles não se preocupam com a idade. Mas preocupam-se com a qualidade soul que trouxeram ao mundo. Nós agradecemos.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RtVrxV79y7I/AAAAAAAAAJ4/p6p2J8ihBhI/s1600-h/SONAR+CREW.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5104104248140745650" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RtVrxV79y7I/AAAAAAAAAJ4/p6p2J8ihBhI/s320/SONAR+CREW.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em 1997, ano oficial da fundação, a Sonar Kollektiv começou por ser uma super-estrutura organizada pelos Jazzanova de promoção não só de música, mas também de arte urbana em geral (intercambio de músicos e DJ's, design variado, organização de eventos de arte plástica, grafitis, entre outras expressões de rua) em conjunto com uma série de outros amigos-colaboradores. Na altura, a Sonar Kollektiv não era ainda sinónimo de editora de música como hoje conhecemos, mas sim nome empresarial que albergava uma série de micro-editoras (entre elas Airdrops, Best Seven, Dialog Recordings, Mermaid, No Zession Recordings, Recreation Recordings) cada uma delas com autonomia suficiente para contratar e editar nomes conforme os gostos e preferências de quem as geria. Tudo apenas com supervisão criativa de um colectivo de músicos, produtores e Dj: os imergentes Jazzanova.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RtVtY179y8I/AAAAAAAAAKA/VvK4AdmrP2c/s1600-h/JAZZANOVA.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A primeira micro-label a estrear-se foi a Airdrops onde revelar-se-iam Meitz e RAS. Seguiu-se a Dialog com os primeiros trabalhos dos Extended Spirit (núcleo criativo dos Jazzanova), a Mermaid onde se revelariam os Slope, a No Zession onde militariam os Micatone ou, a ainda activa, Best Seven que nos agraciou com nomes como Lightning Head de Glyn "Bigga" Bush (ex-Rockers Hi-Fi) ou Joe Dukie &amp;amp; Dj Fitchie (a fase embrionária dos Fat Freddys Drop).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As atenções de DJ's (uns menos outros mais profissionais, como por exemplo Gilles Peterson) e do público em geral acabaram por ser atraídas, não só pelas edições cada vez mais regulares de 12” ou EP, mas naturalmente pelas antologias de qualidade, umas mais temáticas que outras, como &lt;i&gt;Off Limits&lt;/i&gt; de Dixon, as &lt;i&gt;Dub Infusions&lt;/i&gt; de Daniel Haaksman, &lt;i&gt;In Sessions&lt;/i&gt; de Stefan Rogall, &lt;i&gt;Best Seven Selection&lt;/i&gt; de Daniel Best e, naturalmente as colectâneas organizadas pelos próprios Jazzanova. Era evidente que um con&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RtVtg179y9I/AAAAAAAAAKI/2NdpEhhbhRA/s1600-h/JAZZANOVA.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5104106163696159698" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RtVtg179y9I/AAAAAAAAAKI/2NdpEhhbhRA/s320/JAZZANOVA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;junto tão disperso de ideias, de projectos criativos, de etiquetas, produtores e DJ’s estariam sujeitos a perderem-se no tempo e no espaço se a Sonar não fosse alvo de uma reestruturação, tanto da sua organização funcional como da imagem transmitida para o exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2003 essa reformulação acabou por acontecer, tendo sido extintas todas as micro-editoras que orbitavam em torno do mesmo logótipo. Toda a estrutura passou então a designar-se apenas de Sonar Kollektiv e todas as edições, fossem da responsabilidade de quem fosse, passariam a ter uma única marca registada. A primeira edição Sonar data-se de Março de 2003, tendo sido editado na altura o segundo volume da colectânea, desta vez organizada por Dixon, com o nome da editora: &lt;i&gt;Sonar Kollektiv&lt;/i&gt;. Nomes que haviam feito a casa nos primeiros anos, juntavam-se no mesmo registo como sinal evidente de uma união de facto que haveria de sobreviver até aos nossos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitos nomes passaram pelo catálogo da SK, uns ficaram e fazem hoje em dia parte da mobília da casa (Slope, Jazzanova, Micatone, Georg Levin, Clara Hill) outros iniciaram-se e partiram para outras aventuras sonoras (Forss, Deyampert, Future Beat Investigators, Sygaire) outros encontraram momentaneamente um escape para, dissimuladamente, editar outras formas de música (Moonstarr, SoulPhiction, Benny Sings, Henrik Schwarz). E é tal a abrangência da música editada que muito provavelmente o espectro sonoro continuará a alargar-se no futuro. Prova disso foi o recente apadrinhamento das primeiras excursões da Innervision ou as actuais apostas no reggae com projectos desconhecidos como os neo-zelandeses The Black Seeds ou a alemã Eva Be.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegados às comemorações do 10º aniversário da Sonar Kollektiv, não poderíamos de deixar de ser presenteados com mais uma antologia. Não daquelas que os Jazzanova habitualmente impõem aos consumidores habituais de colectâneas. É, sim, uma colectânea/retrospectiva do catálogo de uma das mais influentes editoras europeias: uma mega colectânea de dois CD’s que não se inibe de contar a história quase – mesmo quase – minuciosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RtVuIF79y-I/AAAAAAAAAKQ/WkXNLanHQLw/s1600-h/sk150cd_cover.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5104106838006025186" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RtVuIF79y-I/AAAAAAAAAKQ/WkXNLanHQLw/s320/sk150cd_cover.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;V/A- Sonar Kollektiv&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;10 Years, Who Cares?&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Certamente que não poderemos deixar de acreditar que ao longo de 31 faixas estarão representados alguns dos mais importantes clássicos da editora de Berlim. Sim, que a presença dos Extended Spirits e dos Jazzanova é inevitável, tal como a presença de Joe Dukie &amp;amp; DJ Fitchie com o fabuloso “Midnight Marauders”, Nuspirit Helsinki com “Seis Por Ocho” revisto pelos brasileiros Azymuth, RAS e o seu “Beat De La Romantique”, Forss e a estranha produção “Using Splashes”, Lightning Head com “Me &amp;amp; Me Princess”, Soul Quality Quartet e “I’m Not Here” ou dos Fat Freddys Drop, maravilhosamente revistos pelos Jazzanova. Curiosamente todos estes temas estão inseridos no primeiro disco (compilado pelos Jazzanova), tendo sido transferidos para o segundo CD, alguns dos mais desinteressantes temas. Vale-nos a perícia na arte da mistura do colectivo de Berlim para – parcialmente – salvar segundo disco de alguma monotonia estética. Porque com excepção dos curiosos Kabuki, Tokyo Black Star ou Moonstarr, os restantes ou estão entre o inoportuno, o inconsequente ou a pura perda de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é variedade através da abrangência que procuram, não faltaram momentos no próprio percurso da editora que proporcionem essa mesma diversidade. Ficará então por explicar a necessidade da inclusão de nomes que pouco têm contribuído para a credibilidade sonora da casa. Não será naturalmente necessário relembrar que não existem catálogos perfeitos, mas já será necessário salientar a inoportuna inclusão num quase desnecessário mix CD de temas ou nomes como Georg Levin (que fazendo parte à longos anos do catalogo, ainda não conseguiu impor-se como artista em pleno criativo), as desinteressantes revisões dos Wahoo de temas dos Jazzanova e os Solar System, Slope e o entediante "Komputa Groove" (o já habitual enche-lata da Sonar), os pouco relevantes Isoul8 ou Âme, a praxe de uma Tiger Stripes Remix para um original de Markus Enochson ou os já esquecidos Sequel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro disco é praticamente imaculado, representando realmente o melhor que a SK trouxe ao mundo. Agora o segundo beneficiaria de uma selecção mais eclética por parte dos Jazzanova. De uma selecção que privilegiasse temas dos primórdios das micro-editoras da Sonar. Temas igualmente pertinentes numa revisão de catálogo. Em vez do indispensável, temos por vezes a sensação que o segundo disco é um elemento desnecessário que soa a um empilhamento de nomes com pouca pertinência no catálogo da Sonar Kollektiv. Não será grave, nem será completamente inútil, agora não se poderá deixar de apontar o dedo a uma selecção que começa por apresentar os diamantes mais vistosos e valiosos – abdicando de discretas pérolas que uma vez mais ficaram esquecidas no baú –, privilegiando depois o lado menos positivo da história. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Who Cares? We do!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Sonar Kollektiv: Discos essenciais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extended Spirit - Solid Water (1999)(Dialog Recordings)&lt;br /&gt;V/A - Off Limits (1999) (Recreation Recordings)&lt;br /&gt;V/A - Dub Infusions 1989-1999 (2000) (Best Seven Recordings)&lt;br /&gt;V/A - Sonar Kollektiv (200) (Dialog Recordings)&lt;br /&gt;Micatone - Nine Songs (2001)(No Zession Recordings)&lt;br /&gt;Reunion - Re: (2002)(Dialog Recordings)&lt;br /&gt;RAS - Rhythmic Altered State (2002) (Best Seven Recordings)&lt;br /&gt;Micatone - Is You Is (2003)&lt;br /&gt;Forss - Soulhack (2003)&lt;br /&gt;Deyampert - Shapes &amp;amp; Colors (2003)&lt;br /&gt;Umod - Enter The Umod (2004)&lt;br /&gt;Fat Freddy's Drop - Based On A True Story (2005) (Edição exclusiva para alguns paises europeus)&lt;br /&gt;V/A Jazzanova: The Remixes 2002-2005 (2005)&lt;br /&gt;Soulphiction - State Of Euphoria (2006)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonar My Sapce:&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.myspace.com/sonarkollektiv"&gt;&lt;em&gt;http://www.myspace.com/sonarkollektiv&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;ARTIGO PUBLICADO ORIGINALMENTE NO BODYSPACE&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RrrvSRMVoiI/AAAAAAAAAJw/_jYQHI4mePc/s1600-h/cb.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;THE CHEMICAL BROTHERS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;WE ARE THE NIGHT&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Poucos aguardarão com anseio um novo disco dos Chemical Brothers. Poucos escutarão o disco por completo. Mas muitos prestarão atenção aos temas mais orelhudos. A explicação será fácil e nem a desastrada lei de Murphy conseguirá perverter a lógica simplista de um projecto que, com mais de 10 anos de actividade, sabe que a melhor maneira de sobreviver num mercado de consumo rápido é se souber estruturar meia dúzia de temas e pelo meio colocar material inconsequente que preencherá o resto do disco. E não há dúvidas que Tom Rowlands e Ed Simons conhecem como poucos os mecanismos que fazem render a sua música e perpetuar a carreira.&lt;br /&gt;Não são – nem nunca foram – um projecto capaz de erguer matéria com envergadura estética suficiente e retumbante que permitisse classifica-los como projecto essencial da pop contemporânea. No entanto, e de forma quase paradoxal, não há um único disco editado que não tenha chamado a atenção da imprensa especializada ou que não tenha atraído mais um punhado de fãs para uma causa que se julgava perdida. A forma como, ciclicamente, os Chemical Brothers baralham e voltam a dar é admirável. Não só produzem mais um disco inconsequente, como sem evoluir esteticamente um único milímetro, conseguem entregar à humanidade mais um monumento hedonista onde o corpo ávido de prazer, obriga a mente a ignorar os reais propósitos de uma música saltitona, cheia de ritmos pujantes e melodias que lembram-sempre-qualquer-coisa-mas-que-não-se-sabe-o-quê.&lt;br /&gt;E entre esse pingue-pongue de boas músicas – que quase sempre são os singles – e um punhado de temas que para sempre serão ignorados que os Chemical Brothers provam que nem sempre o mais importante na música de dança é a inovação ou a criação de factos estéticos. &lt;i&gt;We Are The Night&lt;/i&gt; poderia supor que estaríamos finalmente perante uma verdadeira ode à vida nocturna segundo a dupla. Mas a expectativa é rapidamente gorada pelos habituais encantos psicadélicos que tanto caracterizou &lt;i&gt;Push The Button&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Surrender&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;Dig Your Own Hole&lt;/i&gt;. O fascínio pelos concertos rock, a insistência no big-beat, a aposta numa techno-house recheada de melodias pseudo-pop ou a acidez usual dos químicos adicionados não serão novidade por estas paragens.&lt;br /&gt;O paradoxo persiste e os Chemical Brothers fazem questão que nada mude no paradigma do seu projecto. E enquanto assim for, haverá sempre alguma curiosidade em torno de Tom Rowlands e Ed Simons, que sendo uma grande banda de singles, ainda não consegui trazer ao mundo um disco que os confirme como grande banda de álbuns. De boa verdade se diga, se tivessem produzido um único grande disco, provavelmente já teriam desaparecido de cena. Assim, mantêm uma linha estética coerente através uma produção competente que, não abalando as fundações do universo, mantém-no unido. Afinal de contas foi esta a profissão que decidiram exercer, como tal proficiência é essencial.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Rq4h1hMVohI/AAAAAAAAAJo/3Cnkcse7HSg/s1600-h/justice.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;JUSTICE&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;" † "&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não serão desprovidas de sentido as comparações dos Justice aos Daft Punk. Nem que esta dupla francesa soube, à sua própria maneira, fazer a síntese dos três álbuns originais de Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo. Ou que sejam considerados os filhos legítimos de um &lt;i&gt;french touch&lt;/i&gt; da era &lt;i&gt;Homework&lt;/i&gt;. Nada poderá ser considerado um disparate se atendermos ao facto que estes dois jovens franceses, os Justice, foram, durante a adolescência, influenciados pelo som house/funk híbrido de uma série de projectos gauleses e que o fascínio pela manipulação filtrada de sons &lt;i&gt;disco&lt;/i&gt; lhes tenha ficado gravado no DNA artístico.&lt;br /&gt;Depois de uma série de experiências em EPs e algumas remisturas – entre elas &lt;i&gt;Human After All&lt;/i&gt; dos Daft Punk –, chega finalmente o álbum de estreia. Aguardado por uns e olhado com desconfiança por outros, o aglomerado de originais numa única “rodela” é a prova definitiva da capacidade de erguer, de forma conceptual, um registo coerente, onde acima de tudo, um projecto consiga fazer valer os seus propósitos, as suas ideias e &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Rq4eURMVoeI/AAAAAAAAAJQ/M2YmQKDI3NE/s1600-h/justiceiros.jpg"&gt;&lt;/a&gt;traga ao mundo uma mensagem que marque o maior número de espíritos.&lt;br /&gt;Xavier de Rosnay e Gaspard Auge fazem parte de uma nova geração que depois do fascínio pelo &lt;i&gt;house&lt;/i&gt; do &lt;i&gt;french touch&lt;/i&gt;, encantaram-se pelos revivalismos &lt;i&gt;new-wave&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;electro-pop&lt;/i&gt; e desenvolveram a sua base de trabalho em torno de vários mitos, tendo concentrado energias num rock em espiral visto e revisto à luz das novas electrónicas. Os resultados foram irregulares, mas enquanto alguns morreram no desembarque, outros souberam atravessar o deserto criativo e encontrar um porto seguro onde a sua linguagem singular pudesse sobressair em relação aos demais.&lt;br /&gt;Os enigmáticos Justice atingiram um patamar onde, através da Ed Banger – que desde 2002 é uma das mais activas editoras &lt;i&gt;electro&lt;/i&gt; francesas –, ergueram uma sonoridade homogénea onde laivos &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Rq4ebhMVofI/AAAAAAAAAJY/kgeLIDEyWS8/s1600-h/justiceiros.jpg"&gt;&lt;/a&gt;de rock robustos assentam sobre ritmos funk e melodias &lt;i&gt;disco&lt;/i&gt;. Nada de novo, dirão muitos. Mas as pulsações nervosas dos sintetizadores – a lembrar um &lt;i&gt;live rock&lt;/i&gt; –, os estranhos encaixes sonoros &lt;i&gt;retro&lt;/i&gt;, a pungência da estrutura rítmica e os delírios &lt;i&gt;disco&lt;/i&gt; marcaram uma identidade musical que os Justice souberam explorar a seu favor.&lt;br /&gt;Conotados com uma house suja, agreste e ácida, a dupla reúne neste &lt;i&gt;†&lt;/i&gt; – ou seja lá qual for o nome que queiram dar – um conjunto de temas bem equilibrados onde &lt;i&gt;Homework&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Discovery&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Human After All&lt;/i&gt; e os diversos trabalhos das extintas editoras Rolé e Crydamoure são as melhores referências estéticas. Não abonará muito a favor da criatividade e originalidade, mas a destreza em como pegam no legado dos Daft Punk e o atiram contra a parede é divertido e bem enteretido. Veja-se o caso dos três primeiros temas ("Genesis", "Let There Be Light", "D.A.N.C.E.") para depressa chegar-se a essa conclusão.&lt;br /&gt;A aspiciência da dupla é limitada, mas se o objectivo é trazer à superfície o bom electro/house francês então o objectivo foi concretizado. O disco é festivo e alegre sem que o &lt;i&gt;kitsch disco&lt;/i&gt; arruíne o ambiente, é contagiante sem resvalar para o &lt;i&gt;mainstream&lt;/i&gt; a que nos habituamos, é provocante pela estranha e bruta sensualidade que emana. &lt;em&gt;†&lt;/em&gt;&lt;/&gt; não possui o brilhantismo de Homework, mas por perplexo que possa parecer, os Justice possuem agora o que os Daft Punk perderam se não tivessem feito um terceiro disco por frete.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/6zo1-XlazvY" width="525" height="450" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/fo_QVq2lGMs" width="525" height="450" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;MATTHEW DEAR&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;ASA BREED&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Matthew Dear tem feito da quebra de paradigmas o seu principal objectivo enquanto produtor. Seja através da escrita em nome próprio ou encapuçado de Jabberjaw, False ou o mais mediático Audion. Será dos poucos que tem uma visão própria do que um techno inspirado pode fazer pelas linguagens electrónicas mais despojadas. Retirando a faceta mais imediata de um techno funcional e desenhado para as pistas, Matthew disponibiliza-se como poucos neste &lt;i&gt;Asa Breed&lt;/i&gt; a actualizar a visão modernista dos princípios que regeram a acção pop de Brian Eno, dos Talking Heads, de Beck, de Nick Cave e até mesmo dos legendários Kraftwerk.&lt;br /&gt;Do Michigan chega o perfeito exemplo da extraordinária capacidade de estruturar pequenas canções pop – algumas a sonhar com o Verão – e simultaneamente promover o lado mais hedonista da música. No início Dear propõe-se a desbravar os ideais tech-house que orientaram a música nos dois primeiros discos – especialmente &lt;i&gt;Backstroke&lt;/i&gt; (2004) – para depois dedicar-se à eloquência de uma &lt;i&gt;tech-folk&lt;/i&gt; camuflada, quente e inspirada. E à medida que caminhamos para o fim perdemos um pouco a noção do papel que o techno ou o house desempenham. Mas no gume entre a especulação da gramática pop, o experimentalismo &lt;i&gt;high-tech&lt;/i&gt; – umas vezes iluminado, outras soturno – e o prazer de fazer boa música, encontra-se a mais-valia que realmente trás ao mundo um facto estético capaz de devolver clarividência à humanidade. Uma das poucas maravilhas de 2007.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2435416063818699304-3280157312597943790?l=rbs-2007.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rbs-2007.blogspot.com/feeds/3280157312597943790/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2435416063818699304&amp;postID=3280157312597943790' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2435416063818699304/posts/default/3280157312597943790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2435416063818699304/posts/default/3280157312597943790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rbs-2007.blogspot.com/2007/11/common-finding-forever-do-ttulo-podemos.html' title=''/><author><name>r.b.S</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12035987248499265783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_l4tkoYa3rwo/SHtuXHafv_I/AAAAAAAAAW0/cR0WZIcOG4o/S220/rbs..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RtVrxV79y7I/AAAAAAAAAJ4/p6p2J8ihBhI/s72-c/SONAR+CREW.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2435416063818699304.post-7782543875764483111</id><published>2007-10-11T05:02:00.000-07:00</published><updated>2007-10-24T03:27:14.863-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Kalabrese&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Rumpelzirkus&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ainda há quem, por entre contos de fadas para crianças e o circo artístico, procure uma nova realidade que permita a reabilitação de uma música até agora perdida nos meandros de um minimalismo desprovido de sentido ou perdido no seu próprio labirinto estético. Não que o &lt;i&gt;techno&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;house&lt;/i&gt; andem arredados por completo de novas existências, mas quem ainda insiste na exploração de estruturas esqueléticas – com poucas possibilidades de se manterem firmes pelo próprio pé – escapa-lhe a possibilidade de mutação de tipologias que – especialmente durante a primeira metade dos anos 90 – sempre se adaptaram ao caldeirão da música popular, transformando-se e adaptando-se. Motivando o universo pop, tanto o &lt;i&gt;house&lt;/i&gt; como o &lt;i&gt;techno&lt;/i&gt;, granjearam o lento respeito de quem ainda suspeitava dos conceitos &lt;i&gt;rave&lt;/i&gt; e tudo a ela associado.&lt;br /&gt;É raro entender, por completo, as transformações a que a música se sujeita para agradar aos seus criativos mais intransigentes. E por vezes será necessário a felicidade andar por perto para a essência submersa emergir e a revelar ao mundo as ideias que tardavam a chegar aos olhos da humanidade melómana. Mas o tempo é essencial para se perceber a conjectura e encontrar explicações pertinentes.&lt;br /&gt;Por agora ainda será prematuro afirmar-se que o problema encontrou a solvência desejada. Ou que Kalabrese deu o primeiro e mais seguro passo até agora. Mas é garantido que novos sopros de criatividade têm transformado a paisagem despida e esquelética em campos férteis, arejados e sequiosos de novas sementes.&lt;br /&gt;Já por aí foi dito que o suiço Kalabrese – Sascha Winkler, o seu verdadeiro nome –, e o seu álbum de estreia &lt;i&gt;Rumpelzirkus&lt;/i&gt;, ganha essencialmente pela diversidade a que sujeita a música &lt;i&gt;house&lt;/i&gt;. É verdade. Talvez também seja verdade que desde &lt;i&gt;Bodily Functions&lt;/i&gt; de Herbert que não se ouvia tamanha capacidade de sincretismo e especulação em torno de velhas técnicas de composição de canções. Ou mesmo que o sentido de originalidade seja recuperado por um olhar sério e transversal pela música pop sem nunca tirar a ideia do &lt;i&gt;micro-house&lt;/i&gt;. Certo é que &lt;i&gt;Rumpelzirkus&lt;/i&gt; é a verdadeira concretização de uma &lt;i&gt;house&lt;/i&gt; branca e arredada da velha matriz soul e que por entre a manipulação da matéria-prima pop, exprime-se como à muito o não fazia.&lt;br /&gt;Um sonho infantil pode abrir espaço a uma arena onde os sons vagueiam à sua vontade. Mas quando soa o apito final, todos esses sons sabem ocupar o lugar correcto no tempo e espaço. &lt;i&gt;Rumpelzirkus&lt;/i&gt; não será certamente o facto estético pelo qual todos almejamos, mas a aparente inocência a que nos sujeitamos num disco – talvez excessivamente longo – que tanto alude à nostalgia dos tempos mais pop de uns Underworld, os dias mais carismáticos de Herbert ou à melancolia de David Sylvian e abraça simultaneamente, de forma coerente, a gramática da música destes últimos tempos, já serão motivos de sobra para escutar todos estes deliciosos malabarismos.&lt;br /&gt;Uma vez mais é a diversidade que nos assalta. É um empilhamento de várias referências – entre elas a folk – num único trapézio que, baloiçando obliquamente, sabe equilibrar com habilidade diversas estéticas sem nunca perder o centro gravitacional. E não fosse a longa extensão de todo alinhamento o único defeito, teríamos em maõs uma obra-prima que revelaria ao mundo um novo paradigma &lt;i&gt;house&lt;/i&gt;. Por agora renova-se o gosto pelos sons de Chicago com a inteligente habilidade de um artista que, corajosamente, se lançou pelo ar sem a corda do pragamatismo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Lanu&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;This Is My Home&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eis a prova evidente que o brokenbeat não é uma exclusividade do oeste londrino. Não que This Is My Home seja um álbum pleno de ritmos quebrados e funk delirante, mas os que fazem parte do alinhamento serão mesmo os mais interessantes e pertinentes. Lanu, com origem na Nova Zelândia e actualmente &lt;/span&gt;a residir na Austrália, é Lance Ferguson, produtor hábil que reparte o seu tempo entre este projecto a solo e o colectivo The Bamboos. Criativo a tempo inteiro e um multi-instrumentalista é, à semelhança do seu conterrâneo Mark De Clive Lowe, um talento na forma como faz convergir numa massa sonora única diversas tipologias e espíritos.&lt;br /&gt;Não terá sido o primeiro a chegar nem será o último a explorar estes ambientes. Mas muito à semelhança das metodologias de trabalho de senhores como Quantic ou os Jazzanova, Lanu é um produtor competente que revela conhecimento nas técnicas de produção e sabedoria cultural no que à matriz sonora afro-americana diz respeito. Talvez por isso as comparações ao colectivo de Berlim e a Will Holand não sejam um disparate completo. Não que haja um aproveitamento descarado dos paradigmas, mas a marca de autor de Lanu dilui-se por vezes por entre outras referências apagando-se o efeito de novidade que muito raramente consegue impor.&lt;br /&gt;Lanu é competente. Que não haja dúvidas. Quem ouve “Mother Earth” não poderá deixar de acreditar que é uma das canções do ano, inteligentemente erguida por entre o brokenbeat menos austero, a soul ecologicamente apelativa e o afro-beat com cheiro a terra húmida. Outros temas seguir-se-ão. Por entre referências funk, soul, hip-hop, samba e house, vai erguendo-se um registo que procura na essência da alma um estado de espírito introspectivo mas simultaneamente festivo.&lt;br /&gt;Eloquentemente tropical, &lt;i&gt;This Is My Home&lt;/i&gt; começa prometedor com o desejo de afirmação do seu autor e com a vontade ostentar a qualidade do que é caseiro recorrendo a valores inteligentemente válidos num universo com excesso de programação inútil. Mas tudo quase acaba mal quando nos últimos minutos – "Beachcomber" e "Beijo do Sol" – Lanu opta por referências house efémeras e banais que quebram a ideia sã e facunda do início. A ideia de redundância estética do fim não invalidadará nenhum dos excelentes temas que compõem este &lt;i&gt;This Is My Home&lt;/i&gt;. “Mother Earth”, “Rise”, “Dont Sleep (Part 3)” ou “Let You Glow” são os temas mais memoráveis e que – por entre aproximações a Quantic, Bugz In The Attic e Jazzanova – validarão o trabalho do neozelandês nos próximos tempos.&lt;br /&gt;No equilíbrio entre os adjectivos bom e mau, Lanu não se destacará facilmente. Independentemente do bom perfume que Lanu tente espalhar pelo mundo – e do sincretismo que tente impor na lógica da sua música –, este jardim à porta da sua casa também tem flores malparecidas que podemos ignorar. Talvez o próximo cultivo seja mais eficaz.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2435416063818699304-7782543875764483111?l=rbs-2007.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rbs-2007.blogspot.com/feeds/7782543875764483111/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2435416063818699304&amp;postID=7782543875764483111' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2435416063818699304/posts/default/7782543875764483111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2435416063818699304/posts/default/7782543875764483111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rbs-2007.blogspot.com/2007/10/kalabrese-rumpelzirkus-ainda-h-quem-por.html' title=''/><author><name>r.b.S</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12035987248499265783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_l4tkoYa3rwo/SHtuXHafv_I/AAAAAAAAAW0/cR0WZIcOG4o/S220/rbs..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2435416063818699304.post-5335532575327655855</id><published>2007-09-11T03:18:00.000-07:00</published><updated>2007-10-24T03:28:02.974-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RnuYh0hNGMI/AAAAAAAAAIg/vgBeXsjCM-c/s1600-h/box.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;V/A&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Box Of Dub (Dubstep &amp;amp; Future Dub)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não há melómano que não deseje a próxima revolução. Que não deseje a &lt;i&gt;next big thing&lt;/i&gt;. É a necessidade da novidade para estimulação do nervo criativo. Ou a extensão do prazer para além da redundância que a vida contemporânea vai trazendo. Um pouco de cor em dias cinzentos. Em tempos de crise conceptual, o arco-íris será mais desejado que o pote de ouro no seu extremo. E se a paleta tem andado pouco colorida desde os primeiros dias do milénio, é certo que por entre os revivalismos e a redescoberta dos clássicos intemporais, também haja quem procure novos paradigmas que caracterizem esta década.&lt;br /&gt;E não será por acaso que muita da esperança - perdida recentemente -, tenha sido encontrada nos &lt;i&gt;undergrounds&lt;/i&gt; dos subúrbios londrinos. A essência original de quem ainda sente a necessidade de quebrar com a pop estabelecida tem sido uma das regras elementares da música de dança desde os primórdios das &lt;i&gt;raves&lt;/i&gt;. Segredos bem guardados e a que poucos terão acesso, os ingredientes que constroem a nova música urbana poderão soar estranhos no início. Mas o aperfeiçoamento que o tempo oferece torna num ápice o inacessível em acessível. Assim foi com o house, o techno ou o drum n’ bass. E todas essas linguagens estão hoje em dia perfeitamente estabelecidas no universo pop.&lt;br /&gt;Com o dubstep ainda será cedo resumir o lugar que ocupará na história desta década. O seu lento caminhar têm lhe dado uma segura ascensão. Mas será suficiente para uma completa autonomia estética? A julgar pelo contributo que agora a Soul Jazz Records decidiu dar, pode ser que novas atenções sejam atraidas e que o impulso que ainda esteja faltar seja dado de forma definitiva - para além de &lt;i&gt;Burial&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Memories Of The Future&lt;/i&gt;, naturalmente. Apesar da relativa contenção que &lt;i&gt;Box of Dub&lt;/i&gt; tem para oferecer, os passos são coerentes.&lt;br /&gt;No espectro poderá haver, como esta caixa sugere quando prefere no subtítulo a terminologia &lt;i&gt;Future Dub&lt;/i&gt;, laivos de nova experimentação para além da determinada tipologia dubstep. Ou seja, na Soul Jazz não houve a mera tentação de reunir uma mão cheia de temas dubstep de gente já conhecida (Kode 9, Burial, Skream ou Digital Mystikz) e expô-las como sendo a única linha da frente do género, houve, sim, a necessidade de incluir quem por entre a estranha experimentação dub ainda não tenha sido conotada com um rótulo específico. Por entre o que já nos habituamos a ouvir acabamos por encontrar pérolas que soam a novos ensaios estéticos, que devidamente analisados, poderão ser o próximo passo do dubstep.&lt;br /&gt;Bem vistas as coisas, o namoro com esta música não será imediato. Mas uma antologia da Soul Jazz que se digne não deixa por mãos alheias a função didáctica da música que reúne. Os habituais textos são informativos e enquadram o som no tempo. E se com eles apreendemos a origem de tudo, já quem tenha andado atendo à evolução do dubstep em 2006 depressa chegará à conclusão que não há nada verdadeiramente extraordinário nos dois temas de Skream ou Digital Mystikz ou que as incursões de Burial ou Kode 9, apesar de uma maior dinâmica sonora, não vão além do que já conhecíamos. A descoberta dos ensaios de King Midas Sound, de Sub-Version ou de Tayo revelar-se-ão mais interessantes e estimulantes por aplicarem uma subversão digna dos princípios dub e dos &lt;i&gt;roots&lt;/i&gt; que Kingston soube oferecer ao mundo. Assim se prova que revolução que a Jamaica nos proporcionou há 30 anos ainda está longe de esgotada. E se assim realmente for, ainda está por escrever o último capitúlo desta história.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Rm63j0hNGII/AAAAAAAAAHg/8KyaETBq1hE/s1600-h/NOSTALGIA+77.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;NOSTALGIA 77&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;EVERY THING IS UNDER THE SUN&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ao terceiro disco, Ben Lamdin confirma a perspicácia que o tem lentamente tornado numa referência incontornável do jazz-funk actual. Desde &lt;i&gt;Songs For My Funeral&lt;/i&gt; (2004), num tom melancólico entre os ritmos claustrofóbicos de Portishead e a exploração cuidadosa do catálogo da Blue Note, passando pelo brilhante registo fusionista de &lt;i&gt;The Garden&lt;/i&gt; ou pelos &lt;i&gt;live-acts&lt;/i&gt; representados pelo octeto, que o projecto Nostalgia 77 tem preferido cada vez mais o tom semi-futurista na miscelânea que compõe a calda da sua música enquanto abdica do sentimento evidente de saudade que respirava no início da carreira.&lt;br /&gt;Passar despercebido no caso de Ben Lamdin não significa ser um completo desconhecido. Gilles Petersen é um fã incondicional da sua música e tem com frequência nomeado os álbuns de Nostalgia 77 como registos dignos da mais própria curiosidade dos melómanos. E engane-se quem se deixa ir por etiquetas broken-beat que muitas vezes tem rotulado esta música. Nem ela soa a Neon Phusion ou a Two Banks of Four, nem nunca tentou seguir-lhes os passos no que diz respeito a técnicas contemporâneas de fusão. Mas o espírito aventureiro em &lt;i&gt;Everything Under the Sun&lt;/i&gt; encontra-se sem grandes dificuldades. E num momento tão sério que atravessamos onde a originalidade deixou-se vender pelas lembranças de outros tempos, sabe bem descobrir um dos raros casos de escrita criativa e de ousadia estética.&lt;br /&gt;Que fique claro que não se inventa a roda ou o fogo. Mas talvez seja no calor da chama que se encontra a alma de um músico que, não procurando redimir-se, melhora o que outrora não conseguiu aperfeiçoar. O tempo deu-lhe a agudeza de que necessitava. O contacto com outros músicos a experiência que tardava e a improvisação em palco a certeza faltava. Ben Lamdin cresceu em diversas frentes. Tornou-se ambicioso sem nunca extravasar pretensiosismo. No entanto o seu universo sonoro, recheado de ambientes familiares, está longe de lugares comuns. &lt;i&gt;Everything Under the Sun&lt;/i&gt; pode soar a Cinematic Orchestra ou a Koop mas também soar a Miles Davis, Charles Mingus ou a Sun Ra. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Entre o sentido urgente de regresso aos clássicos e a necessidade do exercício de libertação espiritual, o quadro aqui eloquentemente oferecido proporciona uma rara narrativa onde a liberdade toma as redias da acção dramática. Não se supõe as consequências para o futuro, apenas que ele ganhará com a magnífica interacção dos músicos falsamente convidados ou as vozes magistrais que enriquecem os conceitos do produtor. Lizzy Parks é prova evidente dessa ideia logo no início do disco (“Wildflower”) quando nos invade o espaço com uma promiscuidade vocal entre Carole King ou Ella Fitzgerald. Uma vez captada a atenção inicial e encontrado o desejo de descoberta, o resto sente-se enquanto a envolvência orquestral nos embala a alma e o ritmo nos massaja a acepção que temos da realidade. Um disco para 2007.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;The Cinematic Orchestra e Matthew Herbert&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;Depois de ouvir só falta imaginar o realizador que há em cada um de nós.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O mundo ainda sonha com a ideia da banda-sonora perfeita. Com as melodias dramáticas envolventes. Com os ritmos de perseguição certos. Com a capacidade de um som modelar apadrinhar a imagem exemplar. Desde sempre houve a preocupação de associar a música a uma imagem e vice-versa. De associar um tom a um sentimento. De colocar a tónica sonora num acontecimento comovente ou numa cena pungente. De rir e chorar, de amar ou odiar personagens fictícias elaboradas com a finalidade criar um universo paralelo para escape da realidade. Aliás é completamente impossível dissociar hoje em dia um filme, uma peça teatral ou um bailado da sua devida banda sonora.&lt;br /&gt;O que seria da história do cinema, e a relação que temos com ela, se &lt;i&gt;Also sprach Zarathustra&lt;/i&gt; de Richard Strauss não tivesse sido incluído em &lt;i&gt;2001 Odisseia no Esp&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Rlw5KNVWcMI/AAAAAAAAAHY/QZYQNbjkBUs/s1600-h/tco.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5069990128053022914" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Rlw5KNVWcMI/AAAAAAAAAHY/QZYQNbjkBUs/s320/tco.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;aço&lt;/i&gt;? Se a arte da composição de poemas sinfónicos de um não tivesse sido inscrita na imagem ficcional de Stanley Kubrick? Talvez a ligação que temos com um clássico incontornável da sétima arte não fosse a mesma. Talvez os sentimentos de prazer durante o bailado espacial não fossem suficientes para gravar na memória tão singular momento estético. Ou o que seria de um &lt;i&gt;James Bond&lt;/i&gt; sem um John Barry ou &lt;i&gt;Star Wars&lt;/i&gt; sem John Williams? O som com a devida envergadura dramática não só marca o cinema enquanto género artístico, marca também as gerações que assimilaram as histórias e com elas fantasiaram.&lt;br /&gt;Concebido propositadamente, ou não, para um filme ou criado para um filme imaginário e ainda por realizar, as bandas sonoras fazem parte da vida de todos quer haja um filme ficcionado e projectado numa tela ou o filme seja a realidade que nos abraça o quotidiano. E acaba por ser irrelevante se existe ou não uma película. Desde que a música imaginada sirva os propósitos, as próprias imagens surgirão na mente como resultado da sugestão. Cada mente realizará o seu próprio filme. A cada &lt;i&gt;frame&lt;/i&gt; seu som. E a cada momento da vida uma trilha sonora.&lt;br /&gt;Certo é que todo o músico ambiciona uma oportunidade de criar a banda sonora perfeita. E as novas gerações têm tido essa oportunidade, seja a The Cinematic Orchestra, Matthew Herbert ou até mesmo os Jazzanova. E algo os tem estimulado criativamente, porque os trabalhos produzidos têm sido na sua maioria eficientes e pundonorosos. Em baixo ficam as opiniões específicas para dois discos recentemente editados que têm o &lt;i&gt;silver screen&lt;/i&gt; como alvo. Uns escrevem bandas sonoras de filmes que não existem. O outro faz uma súmula de verdadeiras trilhas sonoras. Vejamos...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Rlw4U9VWcKI/AAAAAAAAAHI/OyBmHpwuo-o/s1600-h/cinematic_orchestra_-_ma_fleur.jpg"&gt;&lt;/a&gt;The Cinematic Orchestra&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;Ma Fleur&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um dos exemplos paradigmáticos na elaboração de bandas sonoras imaginárias é a The Cinematic Orchestra que desde 1999 – na estreia que foi &lt;i&gt;Motion&lt;/i&gt; – dedicou-se à causa da escrita inteligente onde a electrónica camuflada interagia com o jazz criando ambientes atmosféricos, intrigantes e resistentes tal qual tivessem sido concebidos para um qualquer filme. Desde sempre que Jason Swinscoe e sua pandilha imaginaram imagens inexistentes e compuseram a sua banda sonora. E disso têm feito sua vida, dentro e fora do estúdio. Excepção feita ao único verdadeiro momento de escrita sonora para cinema: a sonorização do documentário russo de 1929 &lt;i&gt;Man with a Movie Camera&lt;/i&gt; de Dziga Vertov (que inaugurou o Porto Capital da Cultura).O novo &lt;i&gt;Ma Fleur&lt;/i&gt; marca a viragem do colectivo para outros quadrantes. A folk e a pop passam a fazer parte do léxico. A eloquência jazzistica mantêm-se, a humilde ambição de escrita para um filme também. O piano ganha visibilidade num sector folk, tal como a guitarra acústica. Os ambientes melancólicos sentem-se na pele. E as vozes de Patrick Watson ou da repetente Fontella Bass asseguram-se de que o arrepio é eficiente. &lt;i&gt;Ma Fleur&lt;/i&gt; é um mimo intimista que muitos estranharão ao início, mas o tempo acabará por provar que a viragem talvez tenha sido a melhor opção num período menos feliz para o nu-jazz e cada vez mais favorável à nova folk. Excelente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Rlw4hdVWcLI/AAAAAAAAAHQ/sDJLJMKm6sE/s1600-h/herbert_score.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Matthew Herbert&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;Score&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Por seu lado, o proficiente Matthew Herbert, homem capaz das mais invulgares arquitecturas sonoras, nunca escondeu o seu interesse pela composição de bandas sonoras. Os convites para escrita para o grande ecrã não foram regulares, mas houve convites que Herbert não desperdiçou. Juntando agora num único disco todos os temas criados desde &lt;i&gt;Nicotine&lt;/i&gt; em 1997 até aos recentemente rejeitados de &lt;i&gt;Manolete&lt;/i&gt;, o produtor britânico tem procurado para cada filme um tom caracterizador, independentemente de ser uma curta ou longa-metragem. Nem todos os dias são dias de génio e Herbert também nem sempre faz valer os seus argumentos. &lt;i&gt;Score&lt;/i&gt; sofre de problemas de carácter. Sofre de dualidades psicológicas que retiram o brilho ao pensamento. A qualidade da escrita mantém-se, mas não cativa. Os momentos &lt;i&gt;big band&lt;/i&gt; estão uns furos abaixo de &lt;i&gt;Goodbye Swingtime&lt;/i&gt;. A faceta mais experimentalista de Dr Rockit acomoda-se ao piano e deixa cair o paradigma dramático da imagem. E por fim o próprio Matthew Herbert ignora o estilo de produção - coerente na grande maioria - que o tem caracterizado a ele e ao equipamento de estúdio, avançando de olhos fechados em direcção de terrenos pantanosos que ainda não domina com certeza. &lt;i&gt;Scale&lt;/i&gt; (2006) mostrava um produtor abrangente mas integro. &lt;i&gt;Score&lt;/i&gt; mostra uma amalgama de personalidades que não revelam a mística necessária para concluirmos que o disco não passa de um colectânea irregular e com poucos motivos de verdadeiro interesse dramático.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RkHZGaGBmEI/AAAAAAAAAHA/0ELaggnE5Dg/s1600-h/KUN.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;MAKOSSA &amp;amp; MEGABLAST&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;KUNUAKA&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Poderia dizer-se que pouco há a esperar de Viena nesta fase. Poderíamos dizer o mesmo de Berlim ou de Paris. E o facto de nada de verdadeiramente relevante nascer nas principais praças europeias nos últimos tempos é bem indício da atrofia criativa que tem invadido o velho continente. Isto em contraste com os últimos anos da década de 90. Do som narcótico de Viena, ao tecno de Berlim ou o &lt;i&gt;french touch&lt;/i&gt;, todos ícones de uma década passada, não passam agora de nomes que tanto invocam alguma nostalgia como sinais de um tempo onde a criatividade ocupava o espaço primordial na acção instigadora da arte.&lt;br /&gt;Nunca se poderá dizer que tudo não passou de um sonho breve quando os ciclos na música aceleram de década para década. E como se reciclam modas de forma cada vez mais célere, a cobra tem cada vez mais tendência a morder a sua própria cauda. Não será propriamente negativo que uma linguagem musical outrora rica e agora com pouco poder de comunicação não seja alvo de licença sabática forçada. Agora que as leis do consumo forcem o rápido emagrecimento de mentes férteis e o constrangimento no desenvolvimento natural de diversas estéticas é que já é pouco abonatório para indústria que força a actual conjectura.&lt;br /&gt;Retirar-se espaço ao tempo seria como tirar o tapete violentamente sobre os nossos pés. E como há quem não tenha pressa em crescer, ainda há também quem prefira manter-se fiel aos princípios que outrora enriqueceram as veias criativas de seus conterrâneos. Marcus Wagner-Lapierre (Makossa) e Sascha Weisz (Megablast) souberam envelhecer o seu estilo durante a fase de remisturas. Souberam lentamente criar uma identidade própria sem nunca renegarem o historial sonoro de Viena. E o mais importante: ignoraram o fim de um suposto ciclo, tendo insistido em tudo o que de bom as margens do Danúbio trouxeram ao mundo; sem repetirem as fórmulas de outrora.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Kunuaka&lt;/i&gt; marca a estreia dos Makossa &amp;amp; Megablast em trabalhos de longa duração. E se o dub característico encontra novas formas de expressão cénica, o electro ou o house abrem espaço a manifestações funk e afro. As ideias são fortes e expressam-se de forma decisiva por entre ritmos que ora lembram o dub minimal de Stereotyp ou a robustez rítmica dos Rockers Hi-Fi, enquanto elementos híbridos algures entre Cuba e África atribuem rudimentos orgânicos a toda a operação. Não haverá certamente nada de verdadeiramente novo no que por aqui se ouve. Apenas, e uma vez mais, a personalidade adquirida nos clubes de Viena e a sumidade do dub que adquirem estatuto suficiente para erguer uma obra viva, consciente do tempo e do espaço que ocupam. Apesar de seguirem as primeiras pistas sugeridas pelo mítico Dub Club, renovam a linguagem sem quebrar de forma radical os paradigmas sonoros de Viena. Mais um motivo de interesse em 2007 e um dos melhores discos saídos dos laboratórios da G-Stone nos últimos tempos&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Ri3pyzOQkFI/AAAAAAAAAG4/Xygpk5nVAMY/s1600-h/djmedhi_luckyboy.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;DJ MEHDI&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;LUCKY BOY&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não será um novato na matéria, nem será um completo desconhecido. Envolvido no desenvolvimento estético de um suposto &lt;i&gt;french-touch&lt;/i&gt; e tendo produzido ou remisturado alguns nomes durante o período mais estimulante do mais interessante fenómeno musical francês dos últimos anos, Dj Mehdi revela-se agora um artista criativamente maduro e certo do seu papel na cena musical francesa e mundial. Não lhe será alheio a paixão pela velha escola hip-hop e a forma como ela se reflecte na sua arte de produzir &lt;i&gt;beats&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;O título começa por frisar a sorte de um rapaz que desde cedo começou por fazer o que a alma lhe ditou. E nada como deixarmo-nos envolver no gosto que Mehdi encontrou para se expressar. O electro-funk mecanizado ao gosto dos &lt;i&gt;b-boys&lt;/i&gt; de 84 assalta-nos a memória e obriga-nos a rever o virtuosismo natal de uma cultura que nasceu nas ruas de Nova Iorque. Presentemente, Harry Belafonte talvez não tivesse grandes dúvidas em escolher a "banda sonora" &lt;i&gt;Lucky Boy&lt;/i&gt; para um eventual &lt;i&gt;Beat Street&lt;/i&gt; contemporâneo.&lt;br /&gt;Não faltarão motivos de interesse electro-funk robusto numa conjectura que neste momento talvez favoreça muito mais os companheiros de editora como Justice ou Sebastian que, pegando no espírito libertino dos Daft Punk de &lt;i&gt;Homework&lt;/i&gt;, conseguem fazer implodir um som sujo de consciência rock numa matriz house. Ao seu ritmo, &lt;i&gt;Lucky Boy&lt;/i&gt; entretém como poucos mas essencialmente recorda-nos texturas rítmicas que julgávamos perdidas na memória colectiva. Ou seja, é funcional nas recordações que suscita e menos interessante na novidade que governa.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Lucky Boy &lt;/i&gt;não é nem será o momento chave na revitalização do fenómeno &lt;i&gt;french-touch&lt;/i&gt;, pelo menos como o conhecemos de momento. Não que não o pretenda ser, como assim se expressa, mas simplesmente o que hoje em dia se entende por &lt;i&gt;french-touch&lt;/i&gt; é radicalmente diferente das premissas instituídas em finais de 90 por uns Daft Punk, Cassius ou Alex Gopher. Por isso mesmo, e o disco soando em &lt;i&gt;loops&lt;/i&gt; samplados como os melhores de há 10 anos atrás – que por sua vez já recriavam à luz da tecnologia digital a agilidade técnica manual de há 30 anos –, perde um pouco pela falta de oportunidade que o início desta década lhe poderia ter dado. Com isto não se pretende afirmar que esteja deslocado no tempo, apenas que o sentimento genuíno do &lt;i&gt;french-touch&lt;/i&gt; que carrega talvez fosse acolhido com outros olhos quando o mundo para aí estava voltado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Rh0CxZGNuxI/AAAAAAAAAGQ/pvPyFzKDIu4/s1600-h/thief.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;THIEF &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;SUNCHILD&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A alvorada suou. E o Sol já escorre a sua luz pelas colinas. Só quem ainda não tenha acordado do sono quase perpetuo é que ainda não se apercebeu que a folk está a ser recuperada pela mesma geração que à 10 anos atrás decidiu recuperar da memória comum velhos paradigmas jazz e soul e integra-los num novo contexto digital – e dançavel ao ponto de atrair a &lt;i&gt;dance scene &lt;/i&gt;mundial para novos propósitos estéticos. Axel Reinemer e Stefan Leisering, núcleo duro dos Jazzanova e arquitectos do Extended Spirit, fazem parte dessa geração pioneira que, muito graças à capacidade de interiorização da matriz musical afro-americana e dispondo dos equipamentos e da técnica perfeita, conseguiram dar forma aos sonhos que antes soavam irrealistas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Com um certo desvanecimento do nu-jazz e a ambição de seguir em frente – parando por momentos de olhar para os últimos 10 anos de actividades – o que começou por ser uma simples curiosidade compilada em volumes de &lt;i&gt;Secret Love&lt;/i&gt;, tornou-se num objectivo transformado em projecto sério: Thief. O que nos chega agora é o álbum de estreia de um projecto que une os dois Jazzanova a Sasha Gottschalk. &lt;i&gt;Sunchild&lt;/i&gt;é um conjunto de formas que se ergueram da inspiração de um trio disposto a ter a guitarra acústica em riste e uma voz serena em busca de acção instigadora. Disposto, também, a impor a emigração da alma do centro urbano para o campo rural. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Que não haja dúvidas: a escrita de canções é a premissa para toda a operação. E, em busca de um virtuosismo orquestral que nada deve à ingenuidade, procura-se a perfeição estética de uma neo-folk liberal que deixa-se ocasionalmente contaminar por partículas digitais. Naturalmente que por aqui não se renegam as raízes que nos anos 60 deram forma à folk clássica de Steely Dan, à envergadura pop dos Beatles ou o &lt;i&gt;soft&lt;/i&gt; rock-soul dos Free Design. Nem se ignoram as ferramentas essências na construção de uma estrutura lírica básica. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É certo que nem sempre todas as canções funcionam em pleno, havendo algumas escoregadelas pontuais que descaracterizam o ambiente – “I cant Remember” soa a UNKLE no seu pior. Ou deixam algum amargo na boca como é o caso de “Somewhere” que, numa aproximação desnecessária ao modelo de canção de Erlend Oye, deita a perder uma oportunidade solarenga quando electrónica mitiga a vivacidade do estilo e ofusca uma mística onde supostamente a essência dos sentimentos deveria sobrepor-se à lógica da programação. Nada verdadeiramente muito grave, apenas desnecessário num disco pautado por uma produção imaculada. Afinal, uma imagem de marca dos Jazzanova.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Como o velho se torna novo&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Tradição Vs Modernidade?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;O segredo é utilizar a tecnologia como um aliado criativo e não como inimigo. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Já é uma velha questão. Velha mas inexplicavelmente pouco debatida: a relação do músico moderno com o passado ancestral e a sua atitude perante a tradição. Por aqui vai-se ocasionalmente tentando esmiuçar as atitudes de determinados artistas em relação à matéria gerada durante o período do virtuosismo da composição, durante o período onde os paradigmas se erguiam ao mesmo ritmo que a imaginação dava forma à matéria. Tempos em que criar para além do imaginável podia ser constrangedor. Outros tempos, diriam muitos. A relação da tradição com o modernismo nunca foi pacífica. E em plena era digital, surgem cada vez mais músicos e produtores dispostos a abdicar das tecnologias actuais e abraçarem a composição convencional.&lt;br /&gt;À medida que a tecnologia ao serviço da música se foi desenvolvendo também o facilitismo foi-se elevando. A programação limou arestas á produção, mas também foi limitando a expressão livre, os gestos nobres da espontaneidade e até o próprio desafio funcional na arte de tocar instrumentos. A dependência da máquina é generalizada seja no computador, e respectivos &lt;i&gt;softwares&lt;/i&gt;, seja pelos parafernais equipamentos electrónicos que abundam no mercado, que muitas vezes transformam o inculto musical em vedeta ou leigos em profissionais. O talento nato foi sendo substituído pela gratuitidade do simples carregar de botão. A imaginação trocada pela programação &lt;i&gt;easy&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;do it your self&lt;/i&gt;. Não se estranhe então que a actual música de dança urbana tenha entrado num beco dominado pela comodidade tecnológica.&lt;br /&gt;Como Sam The Kid fez questão de referir numa recente entrevista aqui no Bodyspace, o hip-hop é uma das vítimas da evolução e na minha opinião da própria programação, criando-se loops intermináveis e repetitivos sem sentido e sem espírito. "Hoje em dia é uma indústria que vive muito à pala dos produtores." refere Sam, continuando: "O produtor hoje tem um papel tão relevante ou maior que o próprio rapper." Comentando ainda a ausência de identidade em muitos dos projectos hip-hop actuais: "Os beats em 93, 94, 95 eram grandes sons, os grupos tinham mais identidade e traziam algo para a arte". Mas não se pense que o hip-hop é caso isolado neste mundo dominado pela indústria. A astúcia artística, perspicácia intelectual, a subtileza do conhecimento ou intensidade cultural vão também lentamente desaparecendo de géneros, outrora ricos, como a soul, o r&amp;amp;b, o funk e até mesmo de derivações recentes do jazz moderno como o nu-jazz ou broken-beat. Para não falar na decadência das linguagens de Detroit ou Chicago que após a massificação aviltaram-se, perdendo algum do fulgor criativo.&lt;br /&gt;As excepções existem, como em tudo na vida. E são essas pequenas - e cada vez mais raras - fugas ás regras que qualquer melómano que se preze deve elevar ao estatuto de referência - e talvez paradigma, se o tempo assim o decidir - num mundo cada vez mais uniformizado e descrente na possibilidade de ainda existir espaço para o simples prazer de fazer música com objectivos e nexos arquitectados. Nexos que não extravasem o humanamente tolerável numa conjectura pouco favorável a aventuras desmesuradas. Talvez por isso estas duas propostas aqui apresentadas sejam o perfeito exemplo da vontade de quebrar as barreiras da programação actual, da agudeza de espírito na forma como o passado avito imerge na era digital ou simplesmente como o breakbeat, se usado inteligentemente, ainda pode ser um suporte para mais diversas ideias, configurando e actualizando o tradicional sem que este perca a identidade, criando-se simultaneamente novas e aprazíveis estéticas que vão enriquecendo o presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RhKFKCK1YEI/AAAAAAAAAF8/u9OGMdJ39AI/s1600-h/soul.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Mummer&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;i&gt;SoulOrganismState&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Poderá ser um paradoxo tentar encontrar aqui a veia criativa que enriquecia os vasos do virtuosismo de outrora por entre tão sofisticada electrónica contemporânea. Mas acaba por ser o exercício de indagação dos elementos de outros tempos o principal motivo de interesse. O óbvio não é opção nesta operação. O gosto reside na descoberta do rico filão jazz, blues e soul camuflados por entre princípios electrónicos ora dominados por um experimentalismo breakbeat ora em busca de desenvoltura criativa em torno das linguagens de Chicago ou Detroit. Não se estranhe então que o nome deste projecto austríaco, liderado por Stefan Jungmair (ex-Mum), se chame Mummer, que em português poderá ser interpretado como camuflar ou esconder.&lt;br /&gt;Nada haverá a esconder por entre tamanha eloquência. O som de &lt;i&gt;SoulOrganismState&lt;/i&gt;, entre o minimalismo electrónico, o funk de 70, o jazz e a importação de referências nascidas no grande delta do Mississipi, proporciona um espectáculo virtual, semi-organico, repleto de coloridos boreais e com peso certo para envergar a bandeira da criatividade sem nunca prejudicar-se com acessórios pleonásticos. Um perfeito exemplo de como a memória convive com a modernidade e de como da fricção dos dois ergue-se um conjunto de músicas que reflectem a vontade de um produtor aventurar-se no desconhecido. E está visto que ainda compensa alguém dar o passo em frente sem ter medo de tropeçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RhKFECK1YDI/AAAAAAAAAF0/iSJGZI9eVwA/s1600-h/0000656111.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Marc Moulin&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;I Am You&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Marc Moulin não é um nome estranho e podemos mesmo concordar com os &lt;i&gt;press releases&lt;/i&gt; e considerá-lo uma lenda viva. Músico, um dos responsáveis pelos Telex e os Aksak Maboul, jornalista, produtor, Moulin, de origem belga, é um dos homens mais influentes da música europeia. Responsável por uma discografia invejável, ideólogo da era Placebo, Moulin tem sido reconhecido pelas novas gerações como um erudito disposto a integrar - de mente aberta como sempre o fez - os elementos caracterizadores de cada conjuntura. Saiu da sombra em 2001 com &lt;i&gt;Top Secret&lt;/i&gt;, um pouco à boleia da fórmula de St. Germain, perseguiu três anos depois, com &lt;i&gt;Entertainment&lt;/i&gt;, um modelo próprio, reforçando a sua personalidade criativa, tendo finalmente acertado neste ano de 2007 no tom certo para música que à muito ansiava voltar a produzir.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;I Am You&lt;/i&gt; é a amalgama sonora que Moulin já nos acostumou, onde se encaixam o jazz, o funk de outras eras - de ouro! - e o breakbeat funcional e eloquente. A programação abandona a fórmula vigente e exala a formalidade que pretende aconchegar as ideias de fusão de Miles Davis - um dos ídolos do belga - ou a proficiência de Jimmy Smith. &lt;i&gt;I Am You&lt;/i&gt; não inventa a roda, muito menos perverte o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;status quo&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; mas faz nos reflectir sobre a capacidade de inventividade de um "velho do Restelo" que não abandona a memória nem rejeita a tecnologia, antes as incorpora na sua retórica. Um exemplo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;AIR&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;POCKET SYMPHONY&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Por vezes o óbvio não está diante de nós. Indagar é muitas vezes o segredo para a descoberta de pequenas pérolas. Talvez seja o que se passa em &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Pocket Symphony&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; que à primeira vista poderá ser rotulado como a mais ténue expressão de Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel ou o momento menos inspirado desde &lt;em&gt;City Reading&lt;/em&gt; mas que na verdade possui todos o elementos para ser um bom disco. Talvez os fãs de Moon Safari tenham alguma dificuldade em entender os propósitos deste disco, mas a dupla francesa já deu, por varias vezes, provas de que a sua música tem obrigatoriamente de evoluir para novos patamares e soltar-se de velhos estigmas. E &lt;em&gt;Pocket Symphony&lt;/em&gt; talvez seja esse momento mais expressivo: além de uma viagem pelo oriente em busca da rectidão de espírito, também poderá ser uma introspecção sobre a memória do grupo.&lt;br /&gt;Ao quarto disco os Air criaram o disco menos consensual. Enquanto os saudosistas reclamam pelo charme etéreo de &lt;em&gt;Moon Safari&lt;/em&gt; e os aventureiros aguardam por momentos mais experimentais – à imagem de &lt;em&gt;10.000 Hz Legend&lt;/em&gt; –, os franceses mergulham na tranquilidade do mar do Japão. A desilusão para muitos poderá ser imediata, mas para quem não esteja disposto a abdicar da pop celestial, algo ingénua mas extremamente perfumada deverá insistir até encontrar os encantos que, no fim de alguma insistência, acabam por tornar-se óbvios. Os instrumentais partem onde &lt;em&gt;Talkie Walkie&lt;/em&gt; parou: "Alone In Kyoto" é o mote para todo o disco. Os momentos mais orelhudos revelam-nos o equilíbrio e a eloquência adquirida com a experiência dos anos, enquanto os mais introspectivos suspendem o tempo no espaço e anestesiam o mundo com quietação.&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Pocket Symphony&lt;/em&gt; temos uns Air mais maduros, de carácter definido, sensíveis ao quotidiano e - entre uma alegria contida num dia de sol e a tristeza tocante num dia de chuva - dispostos a extravasarem-se emocionalmente sem nunca tocarem na excentricidade sentimental fútil. &lt;em&gt;Pocket Symphony&lt;/em&gt; não será o melhor álbum de Godin e Dunkel mas também está longe de ser o pior. E apesar de "Space Maker" soar mais a um lado B de qualquer single de &lt;em&gt;Talkie Walkie&lt;/em&gt;, este disco possui uma das melhores músicas de sempre dos Air: "Photograph". E enquanto os dois franceses já expressam vontade de fazer um disco mais ritmado, estas pequenas sinfonias de bolso espalham uma serenidade invejável num tempo em que a harmonia sonora mais sentimental é encarada com gracejo. Felizmente os Air – agora com olho no extremo oriente – continuam a convencer o mundo de que é possível fazer-se bonito sem resvalar para o ridículo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2435416063818699304-5335532575327655855?l=rbs-2007.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rbs-2007.blogspot.com/feeds/5335532575327655855/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2435416063818699304&amp;postID=5335532575327655855' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2435416063818699304/posts/default/5335532575327655855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2435416063818699304/posts/default/5335532575327655855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rbs-2007.blogspot.com/2007/09/va-box-of-dub-dubstep-future-dub-no-h.html' title=''/><author><name>r.b.S</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12035987248499265783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_l4tkoYa3rwo/SHtuXHafv_I/AAAAAAAAAW0/cR0WZIcOG4o/S220/rbs..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Rlw5KNVWcMI/AAAAAAAAAHY/QZYQNbjkBUs/s72-c/tco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2435416063818699304.post-7028783067575199021</id><published>2007-06-14T06:40:00.001-07:00</published><updated>2007-10-24T03:28:54.513-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RffJ-4QNk-I/AAAAAAAAAFY/h57J3Pu005I/s1600-h/TWISM.jpg"&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;TWISM&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;BANDA SONORA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Todos que estejam relativamente atentos à nova música urbana portuguesa sabe que não é propriamente um foco que chame muito a atenção, não porque no underground não haja movimentação suficiente ou que experiências tenham dificuldade de chegar à superfície, mas sim porque a qualidade nem sempre estimula o melómano que procura a última novidade. Sabemos perfeitamente que o mercado no caso do hip-hip vive atulhado com produções anglo-saxónicas que em grande parte dos momentos vive um passo à frente de alguma mediania estética que surge um pouco pelo mundo. Com a personalidade vincada do hip-hop underground norte-americano ou britânico, os outros mercados procuram caracterizar-se com alguma cultura caseira capaz de criar vida ou movimentos próprios. Com naturalidade a pop assimila tudo o que a rodeia. É tudo uma questão de tempo até o que parecia ser uma experiência pontual no espaço generalizar-se e expandir-se para além do previsível.&lt;br /&gt;Entre nós o hip-hop demorou a fazer-se sentir. No fim dos anos 80 e início de 90, Portugal era um país com dificuldade em aceitar novos géneros, tendências ou modas. Isolado e ofuscado com um cizentismo pop/rock, o hip-hop ou house eram termos desprezados. A “inquisição” cultural queimava novos géneros no soar das novas batidas, relegando para planos inferiores músicas que muitos nem isso consideravam. A produção nacional teimava em não arrancar. Casos esporadicos em meados de 90 davam a entender que algo mexia no círculo de quarentena. No caso do hip-hop tuga apenas meia dúzia sentiram-se capazes de dar um passo decisivo e tentar impor o hip-hop com género capaz de movimentar massas. Mas a evidente falta de interesse das majors condenou um &lt;em&gt;Rapública&lt;/em&gt; a um evento pontual e sem consequência. Mas como a persistência de poucos era enorme, o hip-hop começou a crescer nas franjas do mercado não só como música em si, mas como um movimento cultural. Com a chegada do novo milénio, e com uma evidente abertura de mentalidades, o género começava a mostrar uma militância nascida de uma geração que teimava em mostrar a sua arte de sobrepor a poesia de rua com beats e samplers. Naturalmente que a tecnologia começava facilitar o processo.&lt;br /&gt;Tudo demora o seu tempo. É certo. Por isso Portugal também tinha os seus talentos prontos a impor a suas ideias. O crescente interesse, não só de produtores e MC’s, mas também de um público curioso com um hip-hop falado em português, abria portas a uma lenta massificação. Os produtores uniam-se, colaboravam mutuamente, editoras eram criadas, sites específicos eram gerados e fóruns de discussão permitiam o diálogo. Nomes como Sam the Kid, Bullet, Chullage, Micro, Valete, Mars D ou editoras como a Loop Recordings surgiam cada vez mais como referências do nosso hip-hop. As edições começavam a ser frequentes.&lt;br /&gt;O ano de 2006 talvez tenha sido um dos mais importantes e decisivos para o género. Depois de Rocky Marciano afirmar-se em 2005 (como Sam The Kid em 2001 com Beats Vol I: Amor) com uma linguagem essencialemnte instrumental, era obvio que o vocabulário teria de ser refinado de modo a dar espaço à verve melódica. Conscientes desse elemento de equilíbrio, Sir Scratch, Sam The Kid e Twism trabalharam metodicamente e elevaram a fasquia da produção.&lt;br /&gt;No caso de Twism e a sua &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Banda Sonora&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; editada em Abril de 2006, e agora reeditada, as semelhanças na distribuição da palavra pela música obriga-nos a encaixar o álbum de estreia do algarvio no mesmo pelotão que Scratch e Sam, não que haja semelhanças que force alguém a incluir tudo no mesmo saco, apenas pontos de contacto numa doutrina, elementos onde o equilíbrio entre a expressão verbal e musical não sofre atropelos e a linguagem flúi com naturalidade. Nesse ponto deve-se reconhecer também o mérito do ex-membro dos Mitos Urbanos. É revelador como uma determinada geração aprendeu com a idade a manobrar ou desafiar uma arte aprendida na rua, onde expor as suas ideias sobre o mundo que os rodeia é um imperativo imposto pela alma, onde a música construída essencialmente por fragmentos samplados é o correio distribuidor da locução. A palavra e o beat estão lá, como se espera, prontos a transportarem-se mutuamente, comungando a maturidade do seu autor, atingindo um fim. Fim esse que pode não reinventar o género, concorrer com o eixo anglo-saxónico, nem ter o sucesso dos gurus, mas só o facto da palavra portuguesa escorrer por frases espontaneamente lógicas e sons inteligentemente erguidos, já faz deste disco um marco para a própria música portuguesa, que um dia considerá preocupar-se em conquistar o além. Para já, para consumo interno está aprovado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;PUBLICADO ORIGINALMETE NO BODYSPACE&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Re22Mjrg97I/AAAAAAAAAFQ/OP3MZS9zkG8/s1600-h/jazzanova.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;V/A - JAZZANOVA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;BELLE ET FOU&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Do espectáculo &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Belle Et Fou&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; pouco haverá para dizer senão que se trata de um evento cultural em Berlim da responsabilidade de Hans-Peter Wodarz e Arthur Castro - que desafiaram os &lt;strong&gt;Jazzanova&lt;/strong&gt; a escrever a banda-sonora - que junta teatro e dança no mesmo palco. Agora do projecto alemão poucos poderão alegar desconhecimento ou ignorar o seu contributo para a música de à 10 anos para cá. Nascidos em plena ebulição pós-tecno e procurando recuperar o espírito libertino do jazz ou os sentimentos genuínos de uma soul classicista em busca da modernidade, o colectivo conta no seu curriculum com uma mão cheia de remisturas e originais que lhes valeram reconhecimento à escala planetária.&lt;br /&gt;Nunca tiveram problemas de chamar a si o que era dos outros seja no escalão da imaginação recreativa ao apoderarem-se, com uma lucidez invulgar, dos originais alheios, transformando-os, brilhantemente descaracterizando-os e incorporando depois na sua música pequenas partículas sobreviventes da obra inicial ou simplesmente abraçarem convenientemente as suas influências musicais para depois incorporarem a agudeza de espírito dos mestres na sua própria matriz. Tudo tarefas difíceis que poucos conseguirão dominar com agilidade e sabedoria. Mas também o talento não foi distribuído pela humanidade de forma igual.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Remixes 1997-2000&lt;/em&gt; foi, e ainda o é, um perfeito exemplo – antagónico dirão muitos – de como recriar é substancialmente diferente de remisturar. Certo é que granjearam o respeito de todos que tomaram por lição uma verdade, agora paradigmática, de que é possível imprimir uma marca de autor sobre matéria-prima de estranhos. Mas os Jazzanova provaram por varias vezes que nem só das remisturas fazem o seu sustento. Com uma carreira de 10 anos, e mais remisturas que peças próprias, os seis criativos berlinenses contam apenas com um álbum de originais na sua discografia. Também sempre confessaram que trabalhar a matéria particular era um desafio mais complexo do que a apropriação e transformação de ideias de outros. Talvez por isso mesmo &lt;em&gt;In Between&lt;/em&gt; de 2002 seja até agora a única prova dada da sua capacidade de erguer um quadro próprio. Tudo o resto não passam de experiências pontuais. E &lt;em&gt;Belle Et Fou&lt;/em&gt; é mais uma prova.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Belle Et Fou&lt;/em&gt; enquanto compilação de temas de fundo de catalogo não trás nada de novo senão o ecletismo das escolhas – recorda-se, entre outros, a bricolage de Forss em “Flickermood” ou o calor pop/soul de “Just A Lil Lovin” dos Outlines. Agora como antologia/banda-sonora de originais Jazzanova não deixará de ser pertinente referir que o que por aqui se ouve sabe a pouco. O ecletismo mantém-se tal como a produção imaculada e enquanto a programação vai sendo substituida por uma sonoridade cada vez mais orgânica, também o lado mais aventureiro vai se desvanecendo na obcessão dos gostos pessoais dos seus autores. Entre o divergir da componente mais jazz do projecto e a convergência para uma orientação soul blaxploitation intimista – “Rendez Vous” com um Capitol A possuído pelo espírito de Barry White –, um disco eloquentemente orquestrado – “Theme From Belle Et Fou (Bows)” – ou a incursão pela pop/folk melancólica – “The Sirens Call” –, tudo leva-nos a querer que os Jazzanova estão completamente disponíveis a uma abertura a novos léxicos e dispostos a correr riscos em busca de um novo mirante. Apenas o novo álbum confirmará as curtas incursões que aqui ouvimos e tomaremos por certas as mutações na estética sonora do colectivo. Até lá, este espectáculo terá de satisfazer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://www.bodyspace.net/album.php?album_id=877"&gt;PUBLICADO ORIGINALMETE NO BODYSPACE&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Re22Mjrg97I/AAAAAAAAAFQ/OP3MZS9zkG8/s1600-h/jazzanova.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;V/A - JAZZANOVA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;BELLE ET FOU&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Do espectáculo &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Belle Et Fou&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; pouco haverá para dizer senão que se trata de um evento cultural em Berlim da responsabilidade de Hans-Peter Wodarz e Arthur Castro - que desafiaram os &lt;strong&gt;Jazzanova&lt;/strong&gt; a escrever a banda-sonora - que junta teatro e dança no mesmo palco. Agora do projecto alemão poucos poderão alegar desconhecimento ou ignorar o seu contributo para a música de à 10 anos para cá. Nascidos em plena ebulição pós-tecno e procurando recuperar o espírito libertino do jazz ou os sentimentos genuínos de uma soul classicista em busca da modernidade, o colectivo conta no seu curriculum com uma mão cheia de remisturas e originais que lhes valeram reconhecimento à escala planetária.&lt;br /&gt;Nunca tiveram problemas de chamar a si o que era dos outros seja no escalão da imaginação recreativa ao apoderarem-se, com uma lucidez invulgar, dos originais alheios, transformando-os, brilhantemente descaracterizando-os e incorporando depois na sua música pequenas partículas sobreviventes da obra inicial ou simplesmente abraçarem convenientemente as suas influências musicais para depois incorporarem a agudeza de espírito dos mestres na sua própria matriz. Tudo tarefas difíceis que poucos conseguirão dominar com agilidade e sabedoria. Mas também o talento não foi distribuído pela humanidade de forma igual.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Remixes 1997-2000&lt;/em&gt; foi, e ainda o é, um perfeito exemplo – antagónico dirão muitos – de como recriar é substancialmente diferente de remisturar. Certo é que granjearam o respeito de todos que tomaram por lição uma verdade, agora paradigmática, de que é possível imprimir uma marca de autor sobre matéria-prima de estranhos. Mas os Jazzanova provaram por varias vezes que nem só das remisturas fazem o seu sustento. Com uma carreira de 10 anos, e mais remisturas que peças próprias, os seis criativos berlinenses contam apenas com um álbum de originais na sua discografia. Também sempre confessaram que trabalhar a matéria particular era um desafio mais complexo do que a apropriação e transformação de ideias de outros. Talvez por isso mesmo &lt;em&gt;In Between&lt;/em&gt; de 2002 seja até agora a única prova dada da sua capacidade de erguer um quadro próprio. Tudo o resto não passam de experiências pontuais. E &lt;em&gt;Belle Et Fou&lt;/em&gt; é mais uma prova.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Belle Et Fou&lt;/em&gt; enquanto compilação de temas de fundo de catalogo não trás nada de novo senão o ecletismo das escolhas – recorda-se, entre outros, a bricolage de Forss em “Flickermood” ou o calor pop/soul de “Just A Lil Lovin” dos Outlines. Agora como antologia/banda-sonora de originais Jazzanova não deixará de ser pertinente referir que o que por aqui se ouve sabe a pouco. O ecletismo mantém-se tal como a produção imaculada e enquanto a programação vai sendo substituida por uma sonoridade cada vez mais orgânica, também o lado mais aventureiro vai se desvanecendo na obcessão dos gostos pessoais dos seus autores. Entre o divergir da componente mais jazz do projecto e a convergência para uma orientação soul blaxploitation intimista – “Rendez Vous” com um Capitol A possuído pelo espírito de Barry White –, um disco eloquentemente orquestrado – “Theme From Belle Et Fou (Bows)” – ou a incursão pela pop/folk melancólica – “The Sirens Call” –, tudo leva-nos a querer que os Jazzanova estão completamente disponíveis a uma abertura a novos léxicos e dispostos a correr riscos em busca de um novo mirante. Apenas o novo álbum confirmará as curtas incursões que aqui ouvimos e tomaremos por certas as mutações na estética sonora do colectivo. Até lá, este espectáculo terá de satisfazer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://www.bodyspace.net/album.php?album_id=877"&gt;PUBLICADO ORIGINALMETE NO BODYSPACE&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/Rd8Dwv60L5I/AAAAAAAAAE0/NFqLiDvN1rc/s1600-h/4hero.jpg"&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;4HERO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;PLAY WITH THE CHANGES&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não se tem obrigatoriamente de inventar algo novo a cada disco. Nem convém insistir nessa ideia quando o génio para aí não está voltado. Muitas vezes uma paragem forçada e algum tempo de silêncio é solução ideal para que a imaginação retome a sua actividade plena e a inspiração surja com espontaneidade. Foi o que se passou com os 4Hero que desde Creating Patterns de 2001 assumiram uma postura discreta enquanto colectivo optando em alternativa por um trabalho individual sério e comprometido com propósitos pessoais, muitas vezes pouco visíveis, mas mesmo assim relevantes como foi o caso do excelente projecto Visioneers de Marc Mac em 2006. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É inegável que a alma tem diversas formas e diversos estados. Mas se há quem ainda duvide, Dennis ‘Dego’ McFarlane e Mark Mac Clair têm a certeza ao ponto de se terem dedicado à causa soul a tempo inteiro – juntos ou individualmente – e decidido espalhar pelo mundo uma visão muito particular do que a verdade interior deve ser quando transposta para a música. Não se estranhe por isso a sua persistência na ideia já antes explorada. Não que não haja mais nada a acrescentar a sua identidade estética mas quando por vezes não se avizinha nada que rompa substancialmente com a matriz elaborada, então a solução é continuar a desbravar os velhos mistérios. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando um projecto com uma identidade tão própria como os 4Hero decide elaborar mais um episódio, a obra não deverá ser encarada como mais uma prova ao mundo de superioridade formal do projecto. Muito menos deve-se por em causa um talento que, desde Two Pages, já confirmou que arte e engenho na produção são aliados perfeitos na transposição de velhas memórias da matriz afro-americana para o presente. A diferença entre este disco e os anteriores é que este conforta-nos o espírito com pequenas mutações em vez da tentativa de invenção de um novo paradigma. Na verdade acaba por acrescentar o que talvez tenha faltado em Creating Patterns. Não que este estivesse incompleto mas o espaço deixado em aberto estava ainda longe de preenchido e talvez distante do inicialmente previsto – talvez por isso tenha passado despercebido a muitos. Play With The Changes revela agora uns 4Hero não com falta de inspiração mas sim com um sentido de dever definido, íntegros, pouco susceptíveis a estímulos da moda e possuidores de uma maturidade sonora pouco usual. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Longe do frenesim drum n’ bass de Parallel Universe (1994), a linguagem refinada dos 4Hero integra hoje uma série tipologias e referências que vão desde um broken-beat eloquente – do qual, como no caso do drum n’ bass, foram pioneiros – à soul clássica de Philly, do spoken word – onde a já habitual Ursula Rucker volta a brilhar – ao espírito libertino do jazz e da programação breakbeat modernista às memorias ancestrais do r&amp;amp;b. Play With Changes volta a ser um caldeirão onde todos os majestosos ingredientes – e já agora dos convidados como Jody Watley, Face ou J Davey – têm o seu valor intrínseco na construção de alguma da melhor neo-soul dos nossos dias, provando-se assim que nem sempre é necessário ser-se precursor a cada novo disco. Desde que a alma esteja alinhada com a inspiração e a agudeza criativa centrada na memória a inventividade também pode ocasionalmente marcar passo sem que algum mal venha ao mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;RAPIDINHAS...&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RdGznnHUipI/AAAAAAAAAEo/1lDElP8ulvo/s1600-h/JH.bmp"&gt;&lt;/a&gt;JAMES HOLDEN&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;IDIOTS ARE WINNING&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Estreou-se em 1999 com o maxi “Horizons / Pacific". Tinha 19 anos e logo na altura foi considerado um prodígio. Seguiram-se uma mão cheia de originais, remisturas, álbuns de mistura, colaborações. Chegou mesmo criar a sua própria editora: a Border Community. Etiqueta onde soam agora nomes como The MFA ou Nathen Fake. Entre a robustez fria do techno minimal e uma house progressiva e distorcida, &lt;strong&gt;James Holden&lt;/strong&gt; cedo aprendeu as técnicas que melhor traduziriam a sua forma de ver o universo da música de dança electrónica. Os EP´s foram consensuais na abordagem transversal das tipologias de Detroit e Chicago, na construção melódica abstracta em colisão com os impulsos nervosos de uma electrónica em ponto de ebulição. Tudo características que se mantêm num disco de estreia curiosamente ambíguo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;«Idiots Are Winning»&lt;/strong&gt; é James Holden. Disso não há dúvidas. O seu estilo está lá, único, abstracto, mas agora com alguns desvios que levantam dúvidas sobre o propósito da operação. O mercado está cheio de elogios à idiotice mas Holden também não consegue inverter isso de forma retumbante através das suas experiências. Há momentos de soberba clarividência e de apurado gosto pela "ciência" da programação ("Lump" ou "10101") mas também nos apercebemos de momentos de redundância estética, de ideias perdidas - senão mesmo díscolas - ou até por completar ("Idiot Clapsolo" ou "Quiet Drumming"). Não é uma estreia em longo formato decepcionante, mas esperava-se um pouco mais de quem sabe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://i113.photobucket.com/albums/n224/RBSANTOS/LO.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand" alt="" src="http://i113.photobucket.com/albums/n224/RBSANTOS/LO.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;LUOMO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;PAPER TIGERS&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vladislav Delay ou Uusitalo são nomes possíveis para um só homem: Sasu Ripatti. O produtor finlandês que além dos projectos paralelos – com diversos alter-egos – talvez seja mais conhecido das massas por &lt;strong&gt;Luomo&lt;/strong&gt;. Nome que em 2000 saltou para a primeira linha da electrónica com «Vocalcity», uma miscelânea house/electro-pop, despida e reduzida ao essencial onde os bleeps frios da electrónica sobrepostos por melodias quentes e etéreas tingiam o amor com beleza sedutora e espontânea. Desde logo houve, como é habitual quando algo de novo vem ao mundo, quem decidisse chamar de micro-house à sonoridade única do registo. Diga-se que não era para menos. Luomo (o mesmo passando-se com outros projectos seus) encantou e habituou-nos ao seu estilo de produção minimalista, cuidada e pensada. Mesmo quando os desalinhamentos sonoros pareciam sugerir erraticidade ou os longos minutos indicar falta de melhores propostas para preenchimento do tempo e do espaço, as ideias defenidas e as certezas do caminho traçado estavam lá para quem quisesse apreciar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sasu Ripatti é normalmente original, pragmático, trabalhador e, no essencial, um estudioso das novas linguagens da electrónica, mas também tem os seus dias menos inspirados, como parece o caso do terceiro álbum de originais: «Paper Tigers». Diga-se que depois de The Present Lover pouco mais haveria para acrescentar à sonoridade do registo de estreia, mas a forma como Luomo nos voltava em 2003 a embalar a alma, encantava e seduzia relegando para outra oportunidade a pertinência da sua música. Mas à terceira torna-se difícil ignorar a forma um tanto repetitiva de esquematizar cada quadro sonoro. "Let You Know" e "Good To Be With" ou “Cowgirl” chegam mesmo a desiludir e a aborrecer quem tinha esperanças de encontrar alguma mensagem nova. A voz de Johanna Ilvanainen ou de Antye Greie (aka AGF) cumprem a sua função ao atribuírem o encanto habitual aos beats, clicks, bleeps da produção maquinal e fria de Luomo. Mas nada de substancial ou pertinente desce á terra com a chegada de «Paper Tigers». Talvez o excesso de confiança na programação tenha sido o principal problema, pelo menos no caso deste disco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://i113.photobucket.com/albums/n224/RBSANTOS/OwusuHannibal.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://i113.photobucket.com/albums/n224/RBSANTOS/OwusuHannibal.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand" alt="" src="http://i113.photobucket.com/albums/n224/RBSANTOS/OwusuHannibal.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Owusu &amp;amp; Hannibal&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;Living With... Owusu &amp;amp; Hannibal&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Será caso para dizer que da confusão também nasce a ordem. O desmazelo e desordem sugerido pelas imagens da capa pode indicar um ambiente caótico propício à criação e onde o estímulo musical se sobrepõe ao conservantismo de uma casa arrumada. Mas se da desordem nasce um sentido renque e lúdico capaz de mover parte do mundo também será presunção assumir que daí resulte a ordem interior em vez da exterior. Será o caso desta dupla dinamarquesa ao preferir uma música composta de especulações soul/pop em torno da verdade que apenas poderá ser gerada por gente consciente da sua própria realidade - independentemente da possível falta de correnteza que nos envolve o quotidiano. Talvez isso explique uma capa que, longe da beleza da maioria dos temas, coloca os intervenientes num cenário exterior falso e desmazelado, obrigando o ouvinte a descobrir as pequenas maravilhas do interior.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não se trata de nenhuma verdadeira novidade. Nem daqui resultará a erecção de novos paradigmas. Mas uma vez mais a resolução determinada da produção, a observação atenta da actualidade e a análise criteriosa do passado poderão ser factores capazes de gerar beleza espontânea. E se de um Michael Jackson ou Shuggie Otis ainda é possível extrair a sabedoria que outrora iluminou mentes em busca da perfeição estética, com alguns exemplos actuais também é possível adquirir conhecimentos suficientes para construção de um som em busca da modernidade. Ou seja, por aqui não só pairam as almas inspiradas de Jacko – talvez em busca da redenção –, de um Shuggie ou de Steve Wonder, como também co-habitam vozes que nos fascinam o presente como Joseph Malik ou Steve Spacek.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Terminadas as escutas concluímos que os momentos partilhados com Philip Owusu e Robin Hannibal não terão motivos de exagerado entusiasmo. No entanto a forma como dois mundos acabam por se cruzar e reverenciarem-se torna a escuta não tanto numa busca de novas fronteiras - para uma soul em terrenos pop - mas sim um muito agradável momento onde o coração, sério ou embuido em cepticismo amoroso, conduz a operação para além da razão. Só assim a própria audição acaba por fazer o sentido merecido. Porque se abdicarmos da emoção e o lado analítico prevalecer, haverá momentos em que o curto espaço que por vezes separa a soul e o r&amp;amp;b de um exotismo pop duvidoso poderia deitar tudo a perder. Sendo assim será perfectível recordarmos a falsa imagem desleixada que envolve os protagonistas e imaginar a ordem interior que, curiosa com alguma espiritualidade, espera encontrar a luz que caminhe a razão para um novo nível. E enquanto não se inventar nada de substancialmente novo, teremos de nos satisfazer com esta perspectiva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RcoIH0987XI/AAAAAAAAAEc/khh8FaLeZCM/s1600-h/Mary+Anne+Hobbs.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;V/A - MARY ANNE HOBBS presents&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;WARRIOR DUBZ&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É inegável que um bom programa de rádio pode ser um trampolim para o firmamento do reconhecimento. E na BBC já existem alguns exemplos como o de Gilles Peterson que, depois da aceitação como DJ em pequenos cantos e rádios piratas, tornou-se num guru das ondas hertzianas da Radio One e um dos mais influentes divulgadores das novas músicas urbanas inspiradas pelo Jazz ou pela soul - não se ignorando naturalmente todo o trabalho numa das mais importantes e estimulantes plataformas editoriais dos anos 90: a Talking Loud. Mas existem outros casos, menos visíveis mas mesmo assim presentes, como Annie Nightingale, Rob Da Bank, Trevor Nelson e agora &lt;strong&gt;Mary Anne Hobbs&lt;/strong&gt;. Todos eles, com programas e horários mais ou menos acessiveis, têm-se revelado, cada um na sua área, divulgadores por excelência da nova música urbana. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Das ondas às compilações vai um curto espaço. Se o reconhecimento do ecletismo for evidente, não haverá editora que não queira editar uma colectânea. Gilles que o diga. É certo que muitas vezes basta ter um programa de rádio com boas audiências mas também é certo que algumas colectâneas só resultam se o esforço empreendido na cabine for transposto para a selecção do alinhamento da antologia. Ou seja sem uma selecção criteriosa, um alinhamento competente e uma ideia que sustente toda a aventura, tudo não passará de mais uma farsa geradora de cifrões. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não será o caso de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Warrior Dubz&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; compilado por Mary Anne Hobbs, que a par de algumas colectâneas do colega Gilles, pretende essencialmente divulgar música que, não fosse essa a metodologia, já mais estaria ao dispor do grande público. Preciosidades editadas em vinil e apreciadas essencialmente por DJ - divulgadores e implementadores de modas e manias - e poucos mais. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mary Anne Hobbs, semanalmente nas madrugadas de sexta-feira na BBC Rádio One, debruça-se de forma coerente sobre as mais recentes aventuras sonoras do underground, não só britânico, mas a nível global. O lema do programas é &lt;em&gt;the Rádio One experimental show&lt;/em&gt;. Portanto é inegável o destaque a alguma música experimentalista e descomprometida da actualidade. Géneros recentes como o dubstep ou o grime ganharam protagonismo de um dia para o outro muito graças a especiais de duas horas. Mas também o drum n’ bass, o hip-hop e o tecno de cariz experimental têm tido a sua cota no preenchimento do espaço rádiofonico, revelando-se ainda assim nomes criativamente activos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Para alguns um Skream, um Kode 9 ou um Burial - aqui com um exclusivo - já não serão novidade, mas nomes como Andy Stott (num portentoso momento tecno), Amit (com um drum n’ bass claustrofóbico, persistente e soturno), a agressividade de Spor ou de Terror Danjah – nomes completamente desconhecidos do grande público – estariam condenados a um eterno anonimato. Mary Anne, imiscuindo os seus gostos pessoais com a linha editorial do programa, proporciona-nos um raro, interessante e fiel retrato do actual panaorama underground contaminado pelo dub. Um submundo estranho, violento, alienígena e narcótico que muitas das vezes é a porta para onde convergem mentes em busca de criatividade sincera ou de redenção espiritual. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Verdade seja dita que &lt;em&gt;Warrior Dubz&lt;/em&gt; não será a derradeira ou suprema colecção de temas underground, mas é sem dúvida um evidente manifesto de empenhamento na divulgação de alguns nomes e movimentos. Do tecno fantasmagórico (Andy Scott) à violência grime (Virus Syndicate), do dubstep alucinado (Loefah) ao dancehall impulsivo (The Bug), do drum n´bass paranóico (Amit) ao hip-hop desfigurado (JME), a recolha e o alinhamento mostram-se competentes e a antologia pronta a admitir que ainda existe muita vida nas franjas do mercado mainstream. E isso é salutar e imprescindível para que não se desista da boa música de dança que ainda se vai fazendo em caves escuras um pouco pelo mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;a href="http://www.bodyspace.net/album.php?album_id=835"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;PUBLICADO ORIGINALMENTE NO BODYSPACE&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RbDWe6ZJ7bI/AAAAAAAAADs/O4PdTpgtQcw/s1600-h/ZerodBalbum.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;ZERO DB&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;BONGOS, BLEEPS &amp;amp; BASSLINES&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Há surpresas boas. Há surpresas más. E depois há aquelas em que ficamos indiferentes. Depois de um início muito promissor, os &lt;strong&gt;Zero dB&lt;/strong&gt; chegam finalmente a 2006 com o muito aguardado – que poucos acreditariam ser possível – álbum de estreia. Não há dúvidas de que era um dos mais envoltos em curiosidade. O maxi editado no início do verão – ´Bongos, Bleeps &amp;amp; Basslines" – deixava antever uma sonoridade house suja, claustrofobica, contaminada por um jazz samplado e robusto que, apesar de recordar algumas das experiências iniciais – ‘The Snare’ ou ‘Click’ – davam a entender uma certa renovação depois quatro anos e meio de abstinência na produção de originais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dos primeiros temas em 2000 e 2001, editados pela editora gerida pela dupla, Neil Combstock e Chris Vogado dedicaram-se com alguma naturalidade á remistura, tendo aí angariado mais alguns adeptos á causa nu-jazz. Tudo culminou num único momento: Reconstruction. O título era óbvio no que diz respeito ao conteúdo. Tratava-se da antologia que reunia as remisturas efectuadas pela dupla. Por lá surgiam novas versões de temas de Truby Trio, Peace Orchestra ou Interfearance. A ideia de elaborar um álbum em nome próprio já pairava no ar mas o súbito desaparecimento da dupla e o desacelaramento das edições da Fluid Once sugeriam o desvanecimento dessa ideia. Até que os Zero dB caíram no esquecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o álbum de estreia não peque só pela inconsequência dos originais mas também pela falta de algum entusiasmo na procura de novo porto de atracação. Mesmo sendo a edição de &lt;strong&gt;Bongos, Bleeps &amp;amp; Basslines&lt;/strong&gt; da responsabilidade da muito reputada Ninja Tune, a sensação de que o regresso da dupla à mesma sonoridade dos poucos originais e remisturas do início da década, deixou cair por terra a pouca curiosidade em torno do disco. Não que seja um mau disco, apenas um disco que se ouve e dele nada se extrai de verdadeiramente substancial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia esperar-se momentos de alguma luminosidade ou alguma agudeza de espírito, mas nada mais nos espera em &lt;strong&gt;Bongos, Bleeps &amp;amp; Basslines&lt;/strong&gt; senão a típica fórmula nu-jazz: latin, samba, house, hip-hop. Muitos poderão sublinhar a rudeza dos novos temas. Mas isso não chega para camuflar o evidente atrofio criativo que caracteriza todo o alinhamento. Uma vez mais os Zero db alargaram o leque às tipologias familiares e, querendo fazer muito em pouco espaço, acabam por deixar algumas ideias a meio. Todos os temas possuem o potencial e todos revelam descaradamente a pouca dedicação que tiveram na fase final de produção. Tirando ‘Bongos, Bleeps &amp;amp; Basslines’, ‘Conga Madness’ ou ‘On The One &amp;amp; Three’, poucas são as peças que revelam determinação estrutural ou essência para romper com o passado ou mesmo com as fórmulas nu-jazz dos nossos dias. Nem a electrónica mais aguerrida ou os baixos mais ousados despertam verdadeiramente a pista de dança deste sono jazz pseudo-modernista. Mais um disco inconsequente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;a href="http://www.bodyspace.net/album.php?album_id=795"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;PUBLICADO ORIGINALMNTE NO BODYSPACE&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RaZkMqZJ7aI/AAAAAAAAADU/TcdPsszhHx0/s1600-h/IFA.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;LINDSTROM&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;It's A Feedelity Affair&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ocasionalmente surgem personagens que nos renovam o gosto pela descoberta da música. Entidades com dom e clarividência suficiente para nos despertar a alma para o que ciclicamente vai desaparecendo: a luz e a verdade interior. Aquela força que nos provoca, que nos instiga e nos obriga a escutar a mensagem seja ela qual for, mesmo que fiquemos indiferentes à sua proveniência ou nomenclatura. Lindstrom parece ser uma dessas personagens. A sua obsessão pelo disco elevou o seu nome a um quase estatuto de culto. Quando se fala de novas linguagens disco-sound, agora apelidado de nu-disco, fala-se de Hans-Peter Lindstrom ou de Prins Thomas. De Oslo para o mundo, as fantasias espaciais em tom épico de Lindstrom reflectem os mesmos ensejos que, por exemplo, os Faze Action demonstraram a quando da edição de Plans &amp;amp; Designs: a dignificação do disco-sound. Essencialmente provar que a história cometeu um erro ao permitir que uma determinada geração atirasse o género para a fogueira inquisitória ou que se criassem estereótipos e ideias preconcebidas. Os estereótipos podem ainda hoje em dia existir, mas não com esta música.&lt;br /&gt;Por aqui sopram ventos libertadores, procuram-se escapes á história e fugas á realidade. Já à um ano isso fora provado com a edição do álbum Lindstrom &amp;amp; Prins Thomas. Talvez por isso mesmo esta antologia, que agora vira álbum de estreia, não reserve a mesma surpresa que o álbum da dupla norueguesa editado á um ano, composto todo ele por originais. E é natural que assim seja. Para todos os efeitos a novidade desapareceu quando todos estes temas foram editados e ouvidos pela primeira vez. O facto de Lindstrom reunir temas seus editados de forma dispersa ao longo dos últimos anos também não será um motivo para correr de imediato á loja. Mas para quem tomou contacto com o produtor á um ano atrás, e nunca tenha tido possibilidade de coleccionar os EP’s, achará aqui motivos de júbilo ricos em lantejoulas e prazeres em gravidade zero.&lt;br /&gt;A colecção, agora toda ela reunida num único disco, permite &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RaZjCqZJ7YI/AAAAAAAAADE/TxBY5y0er0U/s1600-h/lindstrom_hans_peter.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5018807732141682050" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RaZjCqZJ7YI/AAAAAAAAADE/TxBY5y0er0U/s320/lindstrom_hans_peter.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;também uma avaliação directa e incisiva na forma singular como Lindstrom pensa a sua música e posteriormente maneja a arte da composição. Não estamos perante máquinas em piloto automático, antes pelo contrário. Em It's A Feedelity Affair as composições são complexas, recheadas de pequenos delírios e, apesar da formalidade como os temas se apresentam, há espaço aberto para improvisações e muita experimentação. Respira-se liberdade com momentos de pura desenvoltura estética&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;. A arte sonora, eloquente, quase num barroquismo, evidência um carácter de positiva superioridade que convence de imediato qualquer céptico. Convence pela produção, convence pela seriedade, convence pela marca de autor e convence naturalmente pela envergadura e qualidade sonora retro que Lindstrom imprime nas suas peças. Ele é um dos poucos magos que consegue de forma pragmática convencer-nos das suas ideias de liberdade e pelo processo provar que o disco, seja em que tom for, ainda se apresenta convenientemente vestido: moderno, eloquente e com essência suficiente para proporcionar prazer em dias de chuva. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2435416063818699304-7028783067575199021?l=rbs-2007.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rbs-2007.blogspot.com/feeds/7028783067575199021/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2435416063818699304&amp;postID=7028783067575199021' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2435416063818699304/posts/default/7028783067575199021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2435416063818699304/posts/default/7028783067575199021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rbs-2007.blogspot.com/2007/06/lindstrom-its-feedelity-affair.html' title=''/><author><name>r.b.S</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12035987248499265783</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://bp0.blogger.com/_l4tkoYa3rwo/SHtuXHafv_I/AAAAAAAAAW0/cR0WZIcOG4o/S220/rbs..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_l4tkoYa3rwo/RaZjCqZJ7YI/AAAAAAAAADE/TxBY5y0er0U/s72-c/lindstrom_hans_peter.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
